Protestos na França deixam 400 detidos e manifestante perde mão
Atos contra o custo de vida reuniram de 550 mil a 800 mil pessoas e tiveram confrontos e danos a prédios em várias cidades.
Resumo em 30 segundos
Cerca de 400 pessoas foram detidas durante protestos realizados em várias cidades francesas. As manifestações, contra o custo de vida, os preços dos combustíveis e as condições dos serviços públicos, reuniram entre 550 mil e mais de 800 mil participantes, conforme estimativas diferentes. Houve danos a prédios e um manifestante perdeu uma mão após a explosão de uma granada.
Cerca de 400 pessoas foram detidas neste sábado (17) durante protestos em várias cidades da França contra o custo de vida, os preços dos combustíveis e as condições dos serviços públicos. Os atos reuniram entre 550 mil participantes, segundo estimativa das autoridades, e mais de 800 mil, de acordo com a central sindical CGT, e incluíram confrontos, danos a prédios e um manifestante ferido gravemente.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que foram realizadas 110 marchas no país, o maior número desde o início da onda de protestos, há cerca de um mês. A mobilização reuniu estudantes, agricultores, professores, ativistas e aposentados, entre outros grupos. As manifestações começaram em setembro em apoio a professores de uma escola parisiense e passaram a incorporar reivindicações mais amplas.
A insatisfação ocorre enquanto o governo busca aprovar o orçamento de 2027, que prevê um ajuste fiscal de 54 bilhões de euros para equilibrar as contas públicas. Os atos também acontecem cerca de seis meses antes da eleição presidencial, que deve marcar o fim do mandato de Emmanuel Macron.
Em Saint-Étienne, um manifestante perdeu uma mão após a explosão de uma granada lançada por agentes de segurança, segundo os relatos. O uso desse tipo de artefato vinha sendo restringido nas últimas semanas, depois que um jovem de 15 anos ficou ferido de forma semelhante em um protesto.
Em Marselha, manifestantes invadiram a prefeitura, derrubaram um busto de Marianne — símbolo da República Francesa — e danificaram uma delegacia. Um posto de atendimento turístico foi invadido e incendiado em Lyon. Também houve ataques à residência oficial do prefeito de Bordeaux, danos à prefeitura de Lille e incêndio na sede municipal de Limoges.
Em Paris, mais de 100 mil pessoas participaram de uma marcha que transcorreu pacificamente em sua maior parte, mas grupos menores entraram em confronto com a polícia, incendiaram carros e quebraram vitrines. As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e jatos de água, inclusive para dispersar atos não autorizados perto dos Campos Elíseos, do Museu do Louvre e do Palácio do Eliseu, sede da Presidência.
Macron afirmou que os responsáveis pela violência serão “processados e punidos” e pediu união contra quem, segundo ele, busca derrubar as instituições. O governo considera legítimas algumas reivindicações, mas condena o que chama de violência urbana e acusa o partido França Insubmissa, de esquerda, de incentivar os atos. A legenda nega ter incitado a violência. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu declarou que o país não será intimidado e que a violência não definirá a agenda política.