Estudantes bloqueiam centenas de escolas na França em protestos
Um aluno de 15 anos perdeu uma das mãos em Lens; o governo contabilizou manifestações ou perturbações em 413 instituições nesta segunda-feira.
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Protestos por mais recursos e melhores condições de ensino bloquearam parcial ou totalmente centenas de escolas de ensino médio na França. O Ministério da Educação registrou manifestações ou perturbações em 413 instituições. Em Lens, um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada de dispersão. Uma nova mobilização nacional está prevista para terça-feira.
Centenas de escolas de ensino médio na França tiveram as entradas parcial ou totalmente bloqueadas nesta segunda-feira (5), durante protestos estudantis por mais recursos e melhores condições de ensino. Em Lens, no norte do país, um aluno de 15 anos perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada de dispersão; segundo uma fonte policial, ele teria tentado devolver o artefato lançado por agentes de choque.
O Ministério da Educação informou que 413 instituições registraram manifestações ou perturbações nesta segunda, 27% menos do que na manhã de sexta-feira. Uma nova mobilização nacional está prevista para terça-feira, quando o governo também se reunirá com representantes regionais para discutir a crise.
Os estudantes protestam desde meados de setembro, inicialmente na região de Paris. O movimento se espalhou pelo país e reúne jovens de 15 a 18 anos. Entre as queixas estão a falta de professores, a sobrecarga de horários, o estado precário das salas de aula e a inadequação da infraestrutura ao aumento das temperaturas.
Em frente a algumas escolas, alunos gritavam palavras de ordem e motoristas buzinavam em apoio. Uma faixa exibida diante do liceu Turgot, em Paris, dizia: “Estamos faltando às nossas aulas para te dar uma”. Também houve mobilizações em Rennes e Lille, com incidentes e intervenção policial. Em alguns atos, foram registrados vandalismo e confrontos.
O ministro da Educação, Edouard Geffray, afirmou que 24 centros de ensino foram incendiados ou saqueados desde o início do movimento. Segundo o Executivo, mais de 5 mil pessoas foram detidas, das quais 85% eram menores de idade. O governo atribui às manifestações danos a bens públicos e acusa a esquerda radical de incentivar os protestos.
Para cobrir os custos de reparação, o Executivo promove um projeto de lei que prevê responsabilizar quem causar danos ao patrimônio público. A proposta também permitiria descontar os valores de determinados benefícios sociais. Sindicatos e organizações de esquerda criticam a medida; Sophie Binet, secretária-geral da central sindical CGT, chamou a iniciativa de “anúncio populista” e disse que ela pode atingir famílias vulneráveis.
A perda da mão do estudante ocorreu em meio à atuação policial em Lens. A fonte policial disse que o jovem teria tentado devolver a granada, mas as informações divulgadas não detalham as circunstâncias da intervenção nem identificam os agentes envolvidos.