Centrais sindicais convocam greve nacional e protestos na França
A paralisação desta quinta-feira afeta transportes e escolas; estudantes reivindicam mais recursos, enquanto trabalhadores cobram reajustes salariais e melhores aposentadorias.
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Centrais sindicais francesas convocaram uma jornada nacional de greves e manifestações por salários e em apoio a estudantes do ensino médio. Os atos afetaram transportes e escolas em várias cidades. A mobilização, iniciada em setembro, reúne reivindicações sobre educação, custo de vida, salários e aposentadorias, em meio à pressão sobre o governo Macron.
Centrais sindicais francesas convocaram nesta quinta-feira (5) uma jornada nacional de greves e manifestações por aumentos salariais e em apoio a estudantes do ensino médio, ampliando a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron. Os atos ocorreram em cidades como Paris, Lyon e Marselha, em meio a uma mobilização que começou em setembro e se espalhou pelo país.
Os sindicatos previram cerca de 260 manifestações e esperavam a participação de centenas de milhares de pessoas. A paralisação afetou o transporte público e levou ao fechamento ou à operação parcial de centenas de escolas, seja por protestos de estudantes, seja pela adesão de professores à greve.
O movimento reúne reivindicações de grupos distintos. Estudantes pedem mais recursos para a educação, enquanto trabalhadores cobram melhores salários e aposentadorias e medidas para aliviar o impacto da alta dos combustíveis e de outros custos. A mobilização começou após um protesto contra a falta de funcionários em uma escola de ensino médio ao sudeste de Paris.
Em comunicado conjunto, as principais centrais sindicais afirmaram que o aumento do custo de vida não tem sido acompanhado por reajustes de salários e aposentadorias. “Combustível, alimentos, aluguel, gás, eletricidade... tudo sobe, exceto salários e aposentadorias”, disseram. Os sindicatos também mencionaram planos de demissão e afirmaram que a França está à beira de uma recessão.
O governo mobilizou 70 mil policiais, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez. A operação incluiu veículos blindados, drones e helicópteros. Em Estrasburgo, autoridades policiais recomendaram cautela nas proximidades de algumas escolas; na cidade de Rennes, na Bretanha, autoridades disseram que pessoas mascaradas tentaram bloquear estradas.
Parte dos protestos anteriores teve episódios de violência, atribuídos em grande parte a pessoas mascaradas que não representam as reivindicações de estudantes e trabalhadores. O governo regional da Bretanha afirmou que jovens, por vezes acompanhados por adultos, cometeram atos violentos, entre eles o lançamento de esferas de aço contra policiais. As forças de segurança também têm sido criticadas por ferimentos causados a manifestantes e pelo uso de táticas consideradas excessivamente duras.
Antes da jornada, o governo negociava com as centrais sindicais para tentar conter os distúrbios. As autoridades classificam a onda de agitação como a mais intensa no país em anos. A mobilização ocorre enquanto a campanha para a eleição presidencial de maio do próximo ano ganha força, e partidos tentam obter ganhos políticos com os protestos.
Macron não pode disputar um terceiro mandato consecutivo, conforme a Constituição francesa. A candidata de extrema direita Marine Le Pen é apontada como favorita, enquanto o líder de esquerda radical Jean-Luc Mélenchon está entre os políticos que defendem mudanças consideradas radicais e difíceis de implementar. O resultado da eleição definirá quem sucederá Macron e herdará os desafios econômicos e sociais que alimentam a mobilização.