Promotoria do Ceará pede arquivamento de crimes contra namorado de Isabelle
O pedido envolve suspeitas de feminicídio e indução ao suicídio; a Justiça decidirá se aceita, enquanto outros indiciamentos seguem para análise especializada.
Resumo em 30 segundos
O Ministério Público do Ceará pediu o arquivamento das suspeitas de feminicídio e indução ao suicídio contra João Munhoz, namorado de Isabelle Caracristi, que morreu em Fortaleza em setembro. A Promotoria apontou falta de indícios suficientes desses crimes. O órgão também pediu que as suspeitas de violência psicológica e fraude processual sejam analisadas pelo Juizado de Violência Doméstica.
O Ministério Público do Ceará pediu o arquivamento da investigação contra João Munhoz, namorado de Isabelle Caracristi, por suspeita de feminicídio e indução ao suicídio. Isabelle morreu após cair do 23º andar de um prédio em Fortaleza, em 13 de setembro. A decisão sobre aceitar ou não o pedido cabe à Justiça.
A Promotoria informou que a análise do inquérito não encontrou indícios suficientes de autoria e materialidade desses crimes. O pedido foi publicado nesta quarta-feira (14). O órgão também solicitou que o indiciamento de Munhoz por suspeita de violência psicológica contra a mulher e fraude processual seja encaminhado ao Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. A Polícia Civil formalizou o indiciamento em 7 de outubro.
A manifestação trata dos crimes contra a vida, que são julgados pelo Tribunal do Júri. Em nota, as advogadas Adriana Alves e Patricia Viana, representantes da família de Isabelle, afirmaram que a Promotoria considerou não haver elementos para levar esses delitos à Vara do Júri. Elas disseram que o documento reconhece a existência de indícios de violência psicológica e fraude processual, que devem ser examinados pela Justiça especializada.
A polícia investigou as circunstâncias da morte e a relação do casal. Isabelle foi encontrada no pátio do condomínio onde morava com Munhoz e a família dele, no bairro Aldeota. Segundo a investigação, ela morreu por suicídio após pular do terraço. A hipótese de indução ao suicídio foi considerada durante o inquérito.
Pouco antes de morrer, Isabelle enviou áudios a um primo e a uma amiga relatando supostas ameaças. Em uma gravação destinada ao primo, disse: “Estão acontecendo coisas sérias, coisas graves, que eu venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele”. A investigação situou a morte por volta das 20h40.
No dia, Isabelle passou parte do tempo na casa da mãe e voltou ao condomínio no fim da tarde. Munhoz saiu por volta das 18h30 para ir à missa. Câmeras registraram Isabelle subindo sozinha ao 23º andar às 19h12. Ele retornou às 22h48 e, segundo a polícia, teria procurado o celular dela. A família não foi avisada imediatamente sobre a morte.
Munhoz foi preso preventivamente em 22 de setembro e solto em 1º de outubro, com tornozeleira eletrônica. A defesa negou envolvimento nas acusações em setembro. O caso tramita sob segredo de Justiça.
A investigação reuniu 17 laudos, entre eles exames de necropsia e toxicológicos, análise do local, testes de DNA e avaliação de áudios. Também foram examinados mais de 700 vídeos de câmeras e dispositivos, e 29 pessoas prestaram depoimento.