Polícia Federal investiga suspeita de fraude em contrato do Iffar
A operação cumpriu três mandados em Santa Maria, no Rio Grande do Sul; a PF apura cobranças por serviços de manutenção que podem não ter sido feitos.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal cumpriu três mandados de busca em Santa Maria durante investigação sobre possível fraude em contrato de manutenção do Instituto Federal Farroupilha. A apuração examina notas fiscais com valores acrescidos e itens repetidos. Uma servidora também é investigada, e o instituto rescindiu o contrato e abriu processos administrativos.
A Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (21), em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, durante investigação sobre suspeita de fraude em um contrato do Instituto Federal Farroupilha (Iffar). As buscas ocorreram na sede da empresa contratada e na casa de seu proprietário.
O contrato, em vigor desde 2024, previa serviços de manutenção no prédio da Reitoria, em Santa Maria, e atendimento a outros campi do instituto na região. A investigação apura se a empresa cobrou por trabalhos que não foram realizados.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Carlos Feijó, documentos analisados pelos investigadores indicam que notas fiscais incluíam acréscimos de 35% em relação aos valores orçados e itens cobrados mais de uma vez. A Polícia Federal investiga se os registros correspondiam a serviços efetivamente prestados.
Uma servidora do Iffar também é investigada por suspeita de participação no esquema. Segundo a apuração, ela orientava como os serviços deveriam ser faturados e atestava sua execução. A mulher ocupava um cargo de diretoria no instituto, mas foi exonerada da função.
A servidora ficou afastada por 120 dias e depois retornou ao trabalho. A investigação não aponta, até o momento, uma estimativa do prejuízo aos cofres públicos. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos para recolher materiais que possam contribuir com a apuração.
O caso começou após uma denúncia do próprio Iffar, que identificou irregularidades no início deste ano. O instituto rescindiu o contrato com a empresa e abriu dois processos administrativos: um para examinar a atuação da servidora e outro para avaliar a execução do contrato pela prestadora.
A investigação busca esclarecer a responsabilidade dos envolvidos e a extensão de eventuais prejuízos. Os investigados podem responder por fraude em contrato, crime cuja pena prevista é de quatro a oito anos de reclusão, além de multa. A apuração criminal conduzida pela Polícia Federal e os processos administrativos do instituto são procedimentos distintos.