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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Mario Frias paga R$ 80 mil de campanha a empresa ligada a ex-diretora

A Polícia Federal investiga o deputado por suspeita de desvio e lavagem de dinheiro, mas não concluiu que os pagamentos à Estratégia sejam ilícitos.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Equipamentos de comunicação sobre uma mesa em um escritório. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Equipamentos de comunicação sobre uma mesa em um escritório.
Resumo em 30 segundos

Mario Frias destinou R$ 80 mil de sua campanha eleitoral de 2026 à Estratégia Comunicações, ligada à ex-diretora da Cultura Jéssika Helen dos Santos. A empresa também recebeu pagamentos da conta pessoal do deputado e da cota parlamentar dele e de outros congressistas. A investigação da Polícia Federal segue em andamento, sem conclusão de que esses pagamentos sejam ilícitos.

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) pagou R$ 80 mil com recursos de sua campanha eleitoral deste ano à Estratégia Comunicações Ltda., empresa ligada a Jéssika Helen dos Santos, ex-diretora da Secretaria Especial da Cultura durante a gestão do parlamentar no governo Jair Bolsonaro. A firma também recebeu valores da conta pessoal do deputado e recursos da cota parlamentar dele e de outros congressistas do PL.

A Polícia Federal investiga Frias por suspeita de participação em um esquema de desvio e lavagem de dinheiro. A apuração examina movimentações financeiras feitas por pessoas próximas, parentes, assessores e empresas, incluindo doações eleitorais e pagamentos por serviços. A investigação não concluiu que os pagamentos à Estratégia sejam ilícitos.

Segundo a PF, Frias transferiu R$ 115 mil à empresa diretamente de sua conta-corrente entre abril de 2025 e abril de 2026. Já os R$ 80 mil da campanha foram destinados a serviços de comunicação e marketing prestados entre agosto e outubro, conforme dados da Justiça Eleitoral.

A corporação descreve a possível existência de uma “sofisticada estrutura financeira e operacional destinada à circulação de recursos entre entidades, empresas e pessoas físicas vinculadas ao núcleo investigado”. Em 10 de setembro, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão contra o deputado e a Estratégia, no âmbito de uma investigação sobre possível organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino também suspendeu o direito da empresa de licitar e contratar com o poder público.

A Estratégia recebeu, ao longo do atual mandato de Frias, R$ 360,9 mil da cota parlamentar do deputado, verba destinada a despesas relacionadas ao exercício do mandato. Os pagamentos foram registrados como serviços de divulgação da atividade parlamentar. Outros integrantes do PL também contrataram a empresa com recursos dessa cota.

O deputado Coronel Assis (PL-MT) destinou R$ 247 mil à firma durante a legislatura, segundo os dados levantados. Roberta Roma (PL-BA) pagou R$ 144 mil; Marcos Pollon (PL-MS), R$ 14,7 mil; e Rodrigo da Zaeli (PL-MT), R$ 9 mil. Os três primeiros foram reeleitos, enquanto Zaeli ficou como suplente.

Roberta Roma afirmou que os R$ 144 mil pagaram serviços de comunicação que foram prestados e contabilizados regularmente na prestação de contas da cota parlamentar. “Não houve irregularidade”, declarou. Pollon disse que contratou a empresa para serviços pontuais de comunicação, com resultados satisfatórios, e afirmou que os pagamentos estão documentados. Ele acrescentou que sua relação com a firma se limitou aos serviços contratados e que o fato de ela atender outros parlamentares não associa seu mandato às condutas investigadas.

Jéssika Helen dos Santos foi nomeada diretora na Secretaria Especial da Cultura em 2021, quando Frias chefiava o órgão. Ela permaneceu no cargo comissionado até junho de 2022. A Estratégia foi aberta em janeiro de 2023, e Jéssika aparece como sua antiga sócia-administradora. Em setembro deste ano, ela transferiu a empresa para Paulo Henrique Brunetti Cruz, advogado e atual único sócio da firma.

A empresária ocupa hoje o cargo de secretária parlamentar do deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), para o qual foi nomeada em novembro de 2025. Frias comandou a Secretaria Especial da Cultura de junho de 2020 a março de 2022. A PF também apontou que a Estratégia e o Instituto Super Poder Educacional Ltda., outra empresa citada na investigação, têm números de registro próximos e indícios de abertura no mesmo dia e na mesma junta comercial.

Na campanha de Frias, além do PL nacional, que doou R$ 2,7 milhões, e do diretório estadual paulista, que contribuiu com R$ 12,4 mil, aparecem dois assessores do deputado como doadores. Diego Garcia Ramos destinou R$ 6 mil; Rareska Metsker, R$ 2,5 mil. Ambos são servidores do gabinete.

Dados da PF indicam que Frias transferiu R$ 5.854,06 a Ramos entre abril de 2025 e abril de 2026. No mesmo período, Paulo Sergio Ramos Merli Junior, cunhado do assessor, recebeu R$ 82,5 mil do deputado. Merli Junior também obteve R$ 153,7 mil da cota parlamentar entre agosto de 2024 e abril de 2026 pelo aluguel de um escritório de apoio em Limeira, no interior paulista.

Metsker foi nomeada secretária parlamentar em maio de 2024. Ela trabalhou na produção de bastidores do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, enquanto era assessora de Frias. O deputado foi produtor-executivo do projeto, que também é alvo de investigações relacionadas ao possível destino de emendas parlamentares e a recursos negociados por Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Frias negou anteriormente irregularidades durante sua gestão na Cultura. A investigação sobre as movimentações financeiras segue em andamento.

Fontes: Folha de S.Paulo

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