Polícia Civil prende oito suspeitos em operação contra exploração sexual
A ação ocorreu em Niterói, São Gonçalo e Maricá; entre os presos estão um sargento da PM e um assessor parlamentar, investigados por abusos e chantagens.
Resumo em 30 segundos
Oito pessoas foram presas em uma operação da Polícia Civil contra uma rede investigada por explorar sexualmente adolescentes em Niterói, São Gonçalo e Maricá. Entre os detidos estão um sargento da Polícia Militar e um assessor parlamentar. A investigação apura abusos, gravações, ameaças e chantagens contra as vítimas.
A Polícia Civil prendeu oito pessoas nesta quarta-feira durante uma operação contra uma rede investigada por explorar sexualmente adolescentes em Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana do Rio. Entre os detidos estão um terceiro-sargento da Polícia Militar e Matheus Rodrigues Gonçalves, assessor parlamentar da Câmara Municipal de Niterói; a polícia apura a participação do grupo em abusos, gravações e chantagens contra as vítimas.
A ação foi conduzida por agentes da 74ª Delegacia de Polícia, em Alcântara, para cumprir mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. A investigação começou em julho, quando os pais de uma adolescente de 16 anos procuraram a unidade. Eles relataram que perceberam mudanças no comportamento da filha e souberam que os abusos aconteciam havia cerca de um ano.
Gonçalves é apontado pelos investigadores como autor de abusos contra a adolescente. Ele trabalha como assessor parlamentar na Câmara de Niterói e no gabinete do vereador Professor Túlio, do PSOL. Na ocasião da prisão dele, foram apreendidos celulares e dois computadores portáteis. A análise dos aparelhos e de imagens de câmeras de segurança levou os investigadores a identificar outros suspeitos.
Segundo o delegado Antônio Salvino, a adolescente foi levada a um apartamento em Icaraí, onde teria sido violentada por três pessoas. Os abusos foram gravados, e os vídeos teriam sido usados para ameaçá-la. O delegado afirmou que Gonçalves teria criado uma conta em rede social fingindo ser a jovem, com o objetivo de atrair outras adolescentes para o grupo.
De acordo com a investigação, os integrantes produziam vídeos de exploração sexual e recorriam à divulgação das imagens como instrumento de coerção. A polícia também apura relatos de tortura, ameaças e agressões físicas e psicológicas. Os suspeitos chamavam a si mesmos de “senhores” e se referiam às vítimas como “escravas”, segundo os investigadores.
A operação teve apoio de unidades do 4º Departamento de Polícia de Área e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar. Além de reunir provas sobre a atuação dos investigados, os agentes buscam esclarecer o papel de cada suspeito e identificar outras possíveis vítimas adolescentes. As pessoas presas são investigadas, e a participação de cada uma ainda será apurada.