Polícia Civil gaúcha deflagra Operação Chave-Mestra contra invasão a banco
A ação cumpre seis mandados de prisão e dez de busca em quatro Estados; a investigação apura o acesso indevido a sistemas de um banco público gaúcho.
Resumo em 30 segundos
A Operação Chave-Mestra apura a invasão dos sistemas de um banco público de fomento do Rio Grande do Sul, em dezembro de 2025. A polícia cumpre mandados em quatro Estados e bloqueia contas e criptoativos. Segundo a investigação, a linha telefônica de um funcionário foi transferida para um chip controlado pelos suspeitos.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta quarta-feira (4) a Operação Chave-Mestra para cumprir seis mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão em quatro Estados. A investigação apura a invasão dos sistemas de um banco público de fomento gaúcho e a atuação de um grupo suspeito de praticar outros crimes cibernéticos.
As ordens judiciais são executadas no Paraná, no Distrito Federal, em Goiás e no Rio de Janeiro. A polícia também determinou o bloqueio de contas bancárias e de criptoativos ligados a pessoas físicas e jurídicas investigadas. O nome da instituição financeira não foi divulgado.
Segundo o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, o grupo acessou sistemas do banco usando as credenciais de um funcionário. A linha telefônica do empregado foi clonada por meio de um golpe conhecido como SIM swap, que consiste na transferência do número da vítima para outro chip sem autorização.
A fraude ocorreu em dezembro de 2025. Depois que o número foi transferido para um aparelho controlado pelos suspeitos, eles passaram a receber códigos de segurança enviados por SMS e redefiniram a senha da conta corporativa do funcionário. Com as credenciais, acessaram e baixaram arquivos internos sobre a infraestrutura de tecnologia e segurança da instituição.
Os investigadores dizem que o invasor usou o aplicativo corporativo de mensagens para contatar oito funcionários da área de tecnologia e pedir níveis mais altos de acesso aos sistemas bancários centrais. Os pedidos foram recusados. O grupo acreditava que o empregado cuja conta havia sido invadida podia autorizar movimentações financeiras, mas, segundo Moreira Neto, o cargo dele não permitia esse tipo de operação.
A tentativa foi percebida pelo próprio banco quando o setor de tecnologia recebeu solicitações para ampliar as credenciais. A conta permaneceu sob controle do invasor por cerca de 48 horas, e nenhuma transação financeira chegou a ser realizada nesse período. O banco procurou a polícia, que iniciou a investigação.
A apuração identificou um funcionário de uma operadora de telefonia como suspeito de ter transferido a linha da vítima para o novo chip. De acordo com a polícia, ele e um familiar receberam cerca de R$ 44,7 mil em pagamentos via Pix feitos por integrantes do grupo entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. O funcionário está entre os alvos de prisão.
Embora não tenha havido movimentação no banco durante o acesso indevido, os investigadores encontraram operações atípicas que, somadas, superam R$ 3,7 milhões nas contas dos principais suspeitos. Também identificaram depósitos em criptoativos estimados em aproximadamente R$ 5 milhões. A polícia considera que os valores podem ter origem em outras atividades clandestinas.
A investigação aponta que o grupo oferecia serviços ilegais pela internet, como transferir ou “derrubar” linhas telefônicas de terceiros mediante pagamento. A polícia afirma que os suspeitos também expunham dados pessoais das vítimas, incluindo nome, CPF, data de nascimento e endereço, e ofereciam a exclusão de registros do Banco Nacional de Mandados de Prisão, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça para consulta de ordens de prisão.
A operação busca atingir tanto os suspeitos de invadir o banco quanto integrantes de uma organização que, segundo a polícia, usava a participação do funcionário da operadora como meio para acessar contas e aplicar golpes em diferentes partes do país. As investigações continuam para identificar e responsabilizar outros envolvidos.