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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Gão diz que Comando Vermelho tem 355 favelas para distribuir drogas

O diálogo com Laércio Isidoro foi encontrado no celular do fornecedor preso; a conversa descreve como a facção poderia mudar o destino de uma carga diante de operação policial.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Celular apreendido sobre uma mesa de evidências em uma sala de investigação policial. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Celular apreendido sobre uma mesa de evidências em uma sala de investigação policial.
Resumo em 30 segundos

Uma investigação da Polícia Civil do Rio identificou um esquema de fornecimento de drogas atribuído a Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, preso em operação conjunta com a polícia de Alagoas. Em áudio encontrado no celular dele, Anderson Santanna da Silva, conhecido como Gão, menciona 355 favelas como alternativas para receber uma carga diante de uma ação policial.

Uma investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou um esquema de fornecimento de drogas ligado ao Comando Vermelho que movimentou cerca de R$ 70 milhões. A apuração levou à prisão de Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, de 42 anos, detido na semana passada em uma operação conjunta das polícias civis do Rio e de Alagoas. Conversas encontradas em seu telefone mostram negociações com Anderson Santanna da Silva, conhecido como Gão, apontado como chefe do tráfico na Favela do Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio.

Em um dos áudios, Laércio explica que adiou a entrega de uma carga porque a região estava “molhada”, gíria usada para indicar presença ou atuação policial. Gão responde que a operação costuma durar um dia e afirma que, se a comunidade continuasse sob ação policial, havia outros pontos para receber os entorpecentes.

“Lugar nós temos, 355 favelas do Comando Vermelho”, diz Gão na conversa. Ele afirma que, além das duas comunidades sob sua influência, a facção teria outras opções para distribuir a carga. O diálogo evidencia a capacidade de deslocar entregas entre diferentes pontos diante de operações policiais, conforme a conversa registrada pelos investigadores.

A análise do celular também revelou que Laércio vendia grandes carregamentos a outros chefes do grupo, entre eles homens identificados pelos apelidos Corolla, Abelha e Doca. Segundo a investigação, as drogas eram fornecidas a prazo: os compradores recebiam os produtos e pagavam depois, em parcelas e conforme acordos com o fornecedor. Nas mensagens, Laércio cobrava dívidas e tratava de atrasos.

Em outra conversa, ele orienta um traficante chamado “Cavalo” a buscar uma carga na comunidade de Gão, em vez de transportar grandes quantidades de drogas por conta própria. A estratégia, segundo o conteúdo das mensagens, era evitar deslocamentos volumosos entre favelas. Laércio também sugeria que o comprador organizasse um carro para retirar a mercadoria.

Conhecido como Boyzão ou Boss, Laércio teria vivido cerca de dois anos escondido em Maceió, usando documentos falsos para ocultar a identidade. A polícia afirma que ele montou mecanismos para dificultar o rastreamento e usou intermediários, chamados de laranjas, para movimentar e esconder o dinheiro do tráfico. O esquema financiava uma vida de alto padrão, segundo a investigação.

A Polícia Civil também informou que Laércio planejava ampliar a atuação como fornecedor, incluindo negócios com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a venda de armas para o Comando Vermelho. O PCC é uma facção criminosa originada em São Paulo; o Comando Vermelho tem origem no Rio de Janeiro. A prisão ocorreu após investigação que examinou as comunicações e as relações comerciais atribuídas a Laércio.

Fontes: O Globo

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