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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Operação Backbone prende 20 em esquema de internet do Comando Vermelho

A ação mira áreas do Rio e levou o STF a bloquear R$ 558 milhões; a PF identificou 42 empresas ligadas à estrutura investigada.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Cabos de fibra óptica e caixa de distribuição em uma comunidade urbana do Rio de Janeiro. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Cabos de fibra óptica e caixa de distribuição em uma comunidade urbana do Rio de Janeiro.
Resumo em 30 segundos

A Operação Backbone prendeu 20 pessoas suspeitas de participar de um esquema de fornecimento de internet controlado pelo Comando Vermelho em áreas do Rio. O STF determinou o bloqueio de R$ 558 milhões e suspendeu as atividades das empresas citadas. A PF também apreendeu veículos, celulares, armas, joias e dinheiro.

A Polícia Federal prendeu 20 pessoas na Operação Backbone, que investiga um esquema de fornecimento de internet controlado pelo Comando Vermelho (CV) em áreas do Rio de Janeiro. A ação mirou grupos que atuavam nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão e foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de R$ 558 milhões em bens e valores.

A investigação aponta que o grupo impunha um monopólio do serviço nos territórios sob seu domínio. Provedores só poderiam operar com autorização da facção e mediante pagamentos mensais; empresas que não aceitavam as condições teriam cabos cortados e caixas de distribuição incendiadas. Segundo a PF, a prática permitia controlar o acesso à internet e gerar receitas com moradores e empresas locais.

Registros contábeis atribuídos à organização indicaram que, no Complexo da Penha, a arrecadação com internet chegou a superar 40% da receita do grupo. Para a investigação, a exploração do serviço também dava às áreas dominadas valor econômico: cada território ampliava a base de clientes e as possibilidades de cobrança. Os dados encontrados apontam que o negócio era uma das principais fontes de renda da facção.

Os investigadores identificaram 42 empresas que, segundo a PF, eram usadas na estrutura. Entre elas havia provedores, um escritório de contabilidade e firmas apontadas como de fachada, que teriam sido empregadas para movimentar e ocultar recursos. O esquema, conforme a apuração policial, não se limitava às comunidades controladas pelo CV.

Entre os presos está o vereador Fábio Silva, do Podemos, detido em Londrina, no Paraná. Ele é suspeito de integrar o esquema como proprietário e beneficiário de provedores investigados. Silva está em seu primeiro mandato na Câmara Municipal do Rio e se apresenta como empresário e gestor comunitário da Zona Norte. A matéria não traz manifestação do vereador sobre a prisão ou as suspeitas.

Também foram detidos Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e Lucas Santos Nepomuceno, filho do casal e irmão do rapper Oruam. Marcinho VP, apontado pela investigação como um dos principais chefes do CV, está preso há quase três décadas em uma penitenciária federal. A PF afirma que ele continuaria a controlar atividades empresariais exploradas nos territórios da facção.

De acordo com os investigadores, os lucros eram transferidos por empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, com o objetivo de dificultar a identificação de sua origem. A corporação também afirma que parte dos valores era dissimulada em produtoras de eventos, empresas de publicidade e imóveis de alto padrão, além de aplicações em criptoativos. Márcia nega vínculos com as empresas investigadas. Lucas é suspeito de administrar recursos e lavar dinheiro do grupo.

Na operação, os agentes apreenderam 14 veículos de luxo, 30 celulares, joias, seis armas e R$ 753 mil em espécie, além de dólares e euros. Em uma residência de alto padrão, foram encontrados quatro relógios Rolex e uma grande quantia em dinheiro. A PF não informou a quem pertencem esses bens. Três pessoas com prisão preventiva decretada não haviam sido localizadas.

O STF determinou ainda a suspensão das atividades econômicas das empresas citadas. A PF informou que vai pedir à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão regulador do setor, que interdite os serviços prestados pelas companhias investigadas. A medida pode afetar a oferta de internet nas áreas atendidas, enquanto as autoridades apuram a participação de cada empresa e investigado.

Os suspeitos poderão responder por crimes como domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro. A PF informou que outros delitos também poderão ser incluídos conforme o avanço das apurações.

A Conexis Brasil Digital, entidade que representa grandes operadoras de telecomunicações, afirmou que não comenta operações policiais. Em nota, disse que restrições impostas a prestadoras de serviço têm afetado o fornecimento e a qualidade dos atendimentos e colocado em risco a segurança das equipes. A entidade defendeu uma ação coordenada dos governos e dos Poderes para permitir que as empresas atuem livremente e com segurança.

Para entender

Anatel
A Agência Nacional de Telecomunicações é a autarquia federal que regula e fiscaliza os serviços de telecomunicações no Brasil. Entre suas atribuições estão acompanhar a prestação desses serviços e aplicar medidas previstas nas normas do setor.

Fontes: O Globo

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