Polícia Civil analisa imagens de mulher antes de abordagem a casal
A investigação em Porto Alegre apura por que ela apontou a direção de Nicolas Scherer e do namorado antes da agressão, e se houve motivação homofóbica.
Resumo em 30 segundos
Novas imagens mostram uma mulher conversando com um dos policiais e apontando a direção em que Nicolas Scherer e o namorado caminhavam. A Polícia Civil tenta identificá-la e esclarecer sua participação. O caso, ocorrido em 28 de outubro, também é investigado como possível agressão motivada por homofobia; a hipótese ainda não foi confirmada.
A Polícia Civil analisa novas imagens de câmeras de segurança para identificar uma mulher que aparece indicando a direção de Nicolas Scherer e do namorado, Samuel Aguiar Oviedo, pouco antes de o casal ser abordado e agredido por dois policiais militares de folga. O caso ocorreu na noite de 28 de outubro, na Rua Lopo Gonçalves, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. A investigação também apura se houve motivação homofóbica.
As gravações mostram a mulher conversando com um dos policiais, que estava em uma motocicleta, e apontando para o local onde os dois homens caminhavam. O delegado Vinicius Nahan afirmou que a polícia busca esclarecer por que ela interagiu com os agentes. Segundo ele, a mulher não é tratada como a pessoa que teria sido vítima do suposto roubo de bolsa mencionado pelos policiais.
A Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), responsável pelo caso, deve ouvir cinco testemunhas e o policial que atendeu a ocorrência. O registro inicial foi feito na 10ª Delegacia de Polícia e, na terça-feira (3), a investigação passou para a DPCI. A Corregedoria da Brigada Militar informou que os fatos ainda serão apurados. Os nomes dos dois policiais não foram divulgados.
Nicolas relatou às autoridades que os homens inicialmente anunciaram um assalto e, depois, disseram ser policiais militares fora de serviço. Eles teriam alegado que procuravam um suspeito de roubar uma bolsa feminina. Conforme a versão apresentada pela Brigada Militar, os agentes voltavam da faculdade em uma motocicleta, vestidos à paisana, quando um transeunte os alertou sobre um possível roubo.
A corporação afirmou que o homem apontado como suspeito correu e foi alcançado pelos policiais. Ainda segundo a Brigada Militar, houve tumulto com pessoas que estavam perto e não sabiam da ação. A pessoa que fez o alerta disse ter visto o rapaz roubar a bolsa, enquanto Nicolas afirmou que correu por acreditar que seria assaltado. Na delegacia, foi constatado que o objeto pertencia a ele.
A Brigada Militar informou que o registro foi feito como fato, em tese, atípico e que, naquele atendimento, não foram constatadas lesões. Nicolas, porém, apresenta um dedo do pé fraturado depois que uma das motocicletas passou sobre o membro; ele precisará passar por cirurgia. Também tem hematomas e escoriações nos braços, nas pernas e no abdômen. Ele e o namorado recebem atendimento psicológico.
O casal caminhava de mãos dadas quando atravessou a rua e foi surpreendido pelos motociclistas, segundo o relato de Nicolas. A hipótese de homofobia está sob investigação, mas ainda não há conclusão sobre a motivação da abordagem. A apuração policial busca esclarecer tanto a participação da mulher filmada quanto a sequência dos acontecimentos e a atuação dos agentes.
Para entender
- DPCI
- A Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância é uma unidade da Polícia Civil do Rio Grande do Sul voltada à investigação de crimes relacionados à intolerância. A delegacia conduz a apuração deste caso em Porto Alegre.