Dois policiais militares de folga agridem homem em Porto Alegre
A bolsa era do homem, e a Brigada Militar diz que os agentes agiram após um alerta; a defesa afirma que a abordagem teve motivação homofóbica.
Resumo em 30 segundos
Dois policiais militares de folga imobilizaram e agrediram um homem na Cidade Baixa, em Porto Alegre. A Brigada Militar afirma que eles foram alertados sobre um possível roubo e que o abordado correu. A bolsa era dele. A defesa sustenta que a abordagem foi motivada por homofobia.
Um homem foi imobilizado e agredido por dois policiais militares de folga na noite de quarta-feira (28), no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. Os agentes, que estavam à paisana e voltavam da faculdade, disseram que abordaram o homem após serem alertados sobre um possível roubo de bolsa; a bolsa pertencia a ele, segundo a Brigada Militar.
O episódio ocorreu por volta das 22h30 e veio a público na sexta-feira (30), após a divulgação de imagens de câmeras de vigilância. O vídeo mostra um homem com uma bolsa sendo cercado e contido por outro. De acordo com a defesa, ele caminhava com o namorado quando os dois foram surpreendidos por motociclistas.
O advogado afirmou que, depois da abordagem, os homens se identificaram como policiais militares e disseram que procuravam um suspeito de roubo de bolsas. A defesa sustenta que a ação foi motivada por homofobia e informou que pretende registrar uma ocorrência na Delegacia de Combate à Intolerância. A Brigada Militar não respondeu a essa acusação na nota divulgada.
Segundo a corporação, os policiais retornavam da faculdade em uma motocicleta quando um transeunte relatou ter visto um possível roubo de bolsa. Os agentes questionaram o homem sobre a procedência do objeto e, conforme a versão da Brigada, ele correu antes de ser alcançado e contido.
A corporação informou ainda que o homem disse ter fugido por acreditar que seria vítima de um assalto. Já a pessoa que alertou os policiais afirmou ter visto o rapaz roubar a bolsa. Após a chegada de uma guarnição, as partes foram levadas à 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, onde foi verificado que o objeto pertencia ao próprio abordado.
A Brigada Militar afirmou que houve tumulto com pessoas que estavam nas proximidades e não sabiam que se tratava de uma ação policial. A ocorrência foi registrada no Palácio da Polícia como fato, em tese, atípico. A corporação disse que não foram constatadas lesões nos envolvidos e que todos foram liberados após os procedimentos.
A versão apresentada pela defesa e a da Brigada Militar divergem sobre a abordagem: o advogado diz que o homem e o namorado foram surpreendidos pelos motociclistas, enquanto a corporação afirma que os policiais agiram após o alerta de um transeunte e que o homem correu ao ser questionado. A ocorrência foi atendida pelo 9º Batalhão de Polícia Militar.