Plataformas na França removem anúncios de itens ligados a saques
O governo obteve compromisso de monitoramento e cooperação com as autoridades; o primeiro balanço das medidas deve ser apresentado nesta quarta-feira.
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Plataformas de venda de usados na França começaram a retirar anúncios de produtos suspeitos de terem sido roubados durante os saques dos protestos. As empresas também se comprometeram a colaborar com as autoridades, monitorar ofertas e pedidos de compra e informar consumidores sobre riscos e sanções. O primeiro balanço das ações é esperado nesta quarta-feira.
Plataformas de venda de produtos usados na França começaram a retirar anúncios de mercadorias suspeitas de terem sido roubadas durante os saques que marcaram os protestos do último fim de semana. O governo francês anunciou nesta terça-feira, 20, que obteve o compromisso das empresas para identificar e remover ofertas e cooperar com as autoridades; o primeiro balanço das medidas deve ser apresentado nesta quarta-feira, 21.
A Vinted informou que ampliou a fiscalização e removeu anúncios relacionados aos saques. A empresa proíbe a venda ou a solicitação de produtos roubados e declarou ter “tolerância zero” com esse tipo de prática. Contas que desrespeitarem as regras podem ser banidas permanentemente, segundo a plataforma.
O ministro das Pequenas e Médias Empresas, Comércio, Artesanato, Turismo e Poder de Compra, Serge Papin, disse que as plataformas concordaram em colaborar para identificar possíveis receptadores e encaminhar denúncias aos investigadores. Receptação é a compra, o recebimento ou a ocultação de um bem sabendo que ele é produto de crime.
O compromisso também prevê maior monitoramento de anúncios, inclusive de pedidos de compra, e avisos aos consumidores sobre os riscos e as sanções legais. As empresas deverão enviar periodicamente dados quantitativos sobre as ações adotadas. “Todo receptador deve saber que será rastreado, localizado e processado”, escreveu Papin no X.
Os protestos começaram em setembro, com reivindicações contra o aumento do custo de vida e por mais investimentos na educação. A mobilização se espalhou pelo país e, no fim de semana, foi acompanhada por saques, invasões, depredações e incêndios em prédios públicos e privados, além de confrontos com a polícia. Cerca de 2,4 mil pessoas foram presas no período.
Em 17 de outubro, aproximadamente 550 mil pessoas participaram de marchas em várias regiões da França, segundo o Ministério do Interior. Em Paris e Marseille, lojas foram saqueadas. Em Limoges, um incêndio atingiu a prefeitura, e parte do telhado e o campanário desabaram. O governo pediu aos prefeitos que adotassem toques de recolher em áreas afetadas.
A onda de mobilizações teve início em escolas, depois de professores e funcionários do liceu Saint-Exupéry, em Créteil, paralisarem as atividades por causa de vagas não preenchidas. Alunos bloquearam a entrada no dia seguinte, e os protestos se estenderam a outras instituições. A pauta do custo de vida e dos combustíveis se somou às reivindicações por educação.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu classificou os episódios do sábado como “uma delinquência geral muito específica, de saque” e anunciou uma resposta penal. Em Bordeaux, menores desacompanhados foram proibidos de circular à noite nas áreas saqueadas até 26 de outubro. O governo também afirmou que pode recorrer ao estado de emergência, se considerar necessário.