PF apura se Flávio Bolsonaro entrou na Argentina após ordem
O Ministério da Segurança argentino nega registro de entrada do senador, que ainda não entregou os passaportes determinados por Alexandre de Moraes.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal verifica com autoridades argentinas se Flávio Bolsonaro cruzou a fronteira. A suspeita surgiu após um site argentino noticiar que ele estaria em Puerto Iguazú e viajaria aos Estados Unidos em um jato particular. O governo argentino nega registro de entrada. Moraes determinou a entrega dos passaportes e proibiu o senador de deixar o Brasil.
A Polícia Federal (PF) apura com autoridades argentinas se o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno da eleição presidencial, deixou o Brasil. A suspeita surgiu após um site argentino afirmar que ele teria chegado a Puerto Iguazú e viajaria aos Estados Unidos em um jato particular; autoridades da Argentina negaram que haja registro de sua entrada no país.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na segunda-feira que Flávio entregasse seus passaportes à PF em até 24 horas e não deixasse o país. Até a manhã desta terça-feira, os documentos ainda não haviam sido entregues, segundo informações divulgadas sobre o caso. A PF não identificou passagem do senador por um ponto regular de imigração brasileiro após a intimação.
O site argentino Infobae informou que Flávio teria cruzado a fronteira usando a carteira de identidade e seguido para Puerto Iguazú, na província de Misiones. De lá, partiria em um Gulfstream G400 com destino aos Estados Unidos. A notícia não foi confirmada oficialmente, e a partida prevista para a madrugada foi cancelada após um passageiro não comparecer, de acordo com informações atribuídas a fontes da Polícia de Segurança Aeroportuária argentina.
O avião permanece em Puerto Iguazú, segundo a polícia provincial. A aeronave havia voado de Buenos Aires para a cidade na noite de segunda-feira. O Ministério da Segurança da Argentina afirmou que não encontrou registro de entrada de Flávio, e um porta-voz do presidente Javier Milei também negou que o senador tenha ingressado no país.
Flávio disse nas redes sociais que foi intimado a entregar os passaportes e que também está proibido de deixar o Brasil. Ele atribuiu a ordem a uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que havia defendido que o senador deixasse o país caso perdesse a eleição. Flávio questionou a decisão de Moraes e perguntou se ela teria sido tomada caso ele tivesse vencido.
O senador é investigado em dois inquéritos no STF. Um apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a plataformas de apostas, envolvendo também o advogado Willer Tomaz. Outro investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em manifestação anterior, Flávio afirmou que não reconheceria o resultado eleitoral e que pediria a anulação da votação. Ele também criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar o período de votação por duas horas e alegou que a medida alterou as regras durante o processo. Essas declarações foram feitas após a derrota no segundo turno.
A ordem de entrega dos passaportes está ligada à investigação sobre Flávio e Tomaz. O passaporte é o documento usado para viagens internacionais, enquanto a determinação de Moraes também impede o senador de deixar o país. A PF continua verificando com as autoridades argentinas se há confirmação de que ele cruzou a fronteira.