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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro recebe ordem de Moraes para entregar passaportes

O senador afirma que também está proibido de deixar o país; a intimação ocorreu em Brasília quando ele seguia para visitar o pai.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Passaportes sobre uma mesa diante de prédios governamentais em Brasília. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Passaportes sobre uma mesa diante de prédios governamentais em Brasília.
Resumo em 30 segundos

Flávio Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes e afirma ter recebido ordem para não deixar o país. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. O senador é investigado em dois inquéritos no STF, que apuram suspeitas relacionadas a operações financeiras e ao financiamento do filme Dark Horse.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira a entregar seus passaportes e, segundo ele, também recebeu uma ordem que o impede de deixar o país. A abordagem ocorreu em Brasília, quando seguia para visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio afirmou que foi abordado na rua depois de sair de casa, no Lago Sul. Ele relacionou a decisão a uma declaração feita pelo irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em entrevista nos Estados Unidos, na sexta-feira. Eduardo disse que, se Flávio perder a eleição, seria favorável a que ele deixasse o país e também defendeu que contestasse o resultado das urnas.

A apreensão de passaportes e a proibição de deixar o território nacional são medidas cautelares que podem ser adotadas durante uma investigação para reduzir o risco de fuga. A intimação para entregar os documentos não representa, por si só, uma condenação ou uma conclusão sobre as suspeitas investigadas. Flávio é alvo de dois inquéritos no Supremo e nega irregularidades.

Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, empresas do setor de apostas e plataformas de pagamento. O caso, relatado por Moraes, começou com uma investigação da Polícia Federal no Rio Grande do Sul e foi encaminhado ao STF após surgirem referências ao senador, que tem foro privilegiado. A investigação busca esclarecer a origem e o destino de recursos movimentados por empresas ligadas a Tomaz.

Na sexta-feira, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores vinculados ao advogado, a quebra de sigilos bancário, fiscal e cambial e a suspensão de atividades de empresas relacionadas a ele. As providências foram tomadas depois de a PF apontar indícios de operações suspeitas e possíveis formas de ocultar recursos. Uma conta associada à Alcazar Holdings, empresa ligada a Tomaz, movimentou cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025.

A PF também identificou que Flávio aparecia nessa conta como usuário com acesso privilegiado, registrado como “master”, e investiga a natureza dessa vinculação e a existência de movimentações feitas pelo senador. Os investigadores analisam ainda registros de viagens, encontros e relações comerciais entre os dois. A defesa de Tomaz afirma que o bloqueio é desproporcional e contesta as medidas; também nega que Flávio tivesse poder para movimentar valores na conta. Segundo os advogados, os dois são amigos, mas não movimentaram recursos um do outro. Flávio diz que a relação com Tomaz é pessoal e nega irregularidades.

O outro inquérito, sob responsabilidade do ministro André Mendonça, investiga suspeitas sobre a obtenção de recursos para o filme Dark Horse, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. A PF apura a participação de Flávio em tratativas com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e ex-dono do Banco Master, para financiar a produção. Mensagens e áudios examinados pelos investigadores indicariam conversas sobre o projeto. A corporação busca esclarecer a origem dos valores e se houve crimes, como lavagem de dinheiro. Flávio sustenta que os recursos negociados eram privados.

Na semana passada, a PF pediu a Mendonça mais 90 dias para concluir esse inquérito. A solicitação considera necessárias novas diligências, entre elas análises financeiras e a obtenção de informações por cooperação internacional. A extensão do prazo permitiria continuar a coleta de provas antes da apresentação de um relatório final.

As apurações tiveram novos desdobramentos durante a campanha eleitoral, com medidas cautelares contra Tomaz e pedidos da PF para aprofundar as investigações. Com o encerramento da disputa, os investigadores devem analisar diligências e elementos já reunidos. Flávio permanecerá no mandato até fevereiro de 2027, quando deixará o Congresso. A saída do cargo não determina automaticamente o envio dos casos a outra instância: em março de 2025, o STF decidiu que investigações sobre crimes supostamente cometidos durante o mandato e em razão da função podem permanecer na Corte após o fim do cargo. A aplicação desse entendimento aos inquéritos de Flávio dependerá da relação entre os fatos investigados e suas funções parlamentares.

Fontes: O Globo

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