Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Pesquisa mostra como alertas de adultos limitam brincadeiras ao ar livre

Em uma escola britânica, crianças de 3 a 5 anos passaram a explorar lama, água e brinquedos de escalada após mudanças na comunicação e no espaço.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Crianças brincam com água e lama em uma área externa, enquanto um adulto acompanha de perto. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Crianças brincam com água e lama em uma área externa, enquanto um adulto acompanha de perto.
Resumo em 30 segundos

Um estudo em uma escola do Reino Unido observou que crianças pequenas evitavam áreas com lama, água e equipamentos de escalada, embora tivessem acesso a elas. Após a equipe reorganizar o espaço, oferecer aventais e trocar alertas genéricos por orientações de apoio, as crianças passaram a explorar mais, sob supervisão.

Uma pesquisa realizada em uma escola do Reino Unido com crianças de três a cinco anos indica que alertas frequentes de adultos sobre sujeira e possíveis acidentes podem influenciar a disposição dos pequenos para explorar áreas externas. Depois de mudanças na organização do espaço e na forma de falar sobre riscos, as crianças passaram a brincar mais com lama e água e a experimentar equipamentos de escalada que antes evitavam.

O estudo acompanhou crianças da educação infantil em um ambiente externo que elas já conheciam. A pesquisadora observou as brincadeiras e promoveu conversas em pequenos grupos, nas quais as crianças fotografaram lugares de que gostavam ou não gostavam. Entre as áreas evitadas estavam espaços com lama e água e estruturas para escalar, embora os adultos não proibissem o acesso.

Nas conversas, algumas crianças justificaram a hesitação com frases como “eu posso cair”, “não quero me molhar” e “minha professora não deixa”. A pesquisa também registrou alertas de funcionários durante as brincadeiras, como “cuidado” e “olha o perigo”. Crianças contaram ter ouvido avisos semelhantes de pais e cuidadores; uma delas disse: “minha mãe não me deixa subir porque uma vez eu bati o nariz”.

A interpretação apresentada no estudo é que a cautela observada nem sempre decorre de um medo espontâneo ou da falta de confiança. As crianças podem incorporar as mensagens que recebem repetidamente e passar a evitar situações que associam a desconforto ou perigo. Assim, uma criança que para antes de subir em um brinquedo pode estar avaliando o próprio limite, mas também pode estar tentando corresponder às expectativas dos adultos.

A escola respondeu às observações reorganizando os equipamentos para facilitar o acesso e criando um plano de gestão de riscos, compartilhado com as crianças. A ideia era ajudá-las a entender o que era seguro e quais experiências poderiam tentar por conta própria. A equipe também passou a fazer uma pausa antes de intervir e a usar perguntas e frases que demonstrassem apoio, como “qual é o seu plano para subir aí?” e “estou aqui se precisar de mim”.

A mudança de linguagem não significa deixar as crianças sem supervisão. Em vez de impedir de imediato uma tentativa, o adulto pode observar por um momento e ajudar a criança a avaliar a situação. Isso permite que ela reconheça dificuldades, decida como agir e peça ajuda quando necessário, sem transformar toda possibilidade de queda em uma proibição automática.

A escola também colocou aventais perto de áreas que algumas crianças evitavam por receio de se sujar. Nas semanas seguintes, elas começaram a explorar esses espaços, experimentar diferentes materiais e brincar com água e lama. Também passaram a escolher atividades, incluindo subir nos equipamentos e usar a cozinha de lama, antes pouco frequentada.

A brincadeira com algum grau de desafio pode oferecer oportunidades para desenvolver confiança, autonomia e resolução de problemas. Pequenos contratempos permitem que as crianças percebam o que conseguem fazer, ajustem seus planos e aprendam a lidar com frustrações. Isso não elimina a necessidade de prevenir perigos reais: a proposta é distinguir situações que exigem intervenção daquelas em que a criança pode experimentar com acompanhamento.

A pesquisa se insere em um contexto de redução das oportunidades de brincadeira ao ar livre. Na Inglaterra, 43% das crianças e dos jovens de oito a 15 anos dizem passar tempo fora todos os dias ou na maioria dos dias. Pesquisas citadas no estudo apontam que as brincadeiras ao ar livre caíram 50% em uma geração. Os dados são referentes à Inglaterra e não devem ser interpretados como medidas da realidade brasileira.

Para apoiar a exploração, adultos podem oferecer escolhas adequadas à idade, permitir que as crianças se sujem e usar orientações que expressem confiança, em vez de alertas genéricos repetidos. A supervisão continua importante, mas pode incluir espaço para que os pequenos avaliem o que pretendem fazer. A experiência da escola sugere que ajustes simples no ambiente e na comunicação podem ampliar as possibilidades de brincar ao ar livre sem abandonar os cuidados com a segurança.

Fontes: Folha de S.Paulo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também