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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Anvisa aprova dois remédios orais para prevenir enxaqueca

Os comprimidos atuam na via do CGRP e devem chegar ao mercado em 2027; o fremanezumabe injetável já é usado como tratamento preventivo.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mulher observa comprimidos e uma caixa de medicamento sobre a mesa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mulher observa comprimidos e uma caixa de medicamento sobre a mesa.
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Dois medicamentos orais para prevenir a enxaqueca foram aprovados pela Anvisa e devem estar disponíveis a partir de 2027. Eles agem sobre a via do CGRP, assim como o fremanezumabe, tratamento injetável já vendido no país. Hoje, o custo desse medicamento pode chegar a cerca de R$ 1,5 mil por mês, segundo uma paciente.

A Anvisa aprovou neste ano dois medicamentos orais para prevenir a enxaqueca, que devem chegar ao mercado a partir de 2027. Os novos fármacos atuam na via do CGRP, mecanismo também visado pelo fremanezumabe, medicamento injetável usado por pacientes para reduzir a frequência das crises e que está disponível em farmácias brasileiras.

O fremanezumabe é um anticorpo monoclonal que interfere na ação do CGRP, sigla em inglês para o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina. Essa molécula participa dos processos ligados à enxaqueca. O remédio é aplicado por injeção e, segundo a reportagem, é o único medicamento no país voltado exclusivamente à prevenção da doença.

Os dois medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são comprimidos e também agem sobre a via do CGRP. A expectativa é que estejam disponíveis em 2027. Por serem orais, podem custar menos do que os injetáveis, cujo preço é elevado, mas os valores dos novos tratamentos não foram informados.

A técnica de enfermagem Elenice Soares de Quevedo, de 43 anos, usa fremanezumabe há quatro meses. Antes, tinha crises semanais, que duravam cerca de três dias. Com o tratamento, os episódios passaram a ocorrer uma ou duas vezes por mês, após mais de 20 anos convivendo com dores intensas e incapacitantes.

Elenice relata que já havia experimentado medicamentos preventivos utilizados também para outras condições, como antidepressivos e anticonvulsivantes. Ela interrompeu esses tratamentos por falta de melhora significativa e por efeitos colaterais, entre eles sonolência e letargia.

O custo do fremanezumabe é de cerca de R$ 1,5 mil por mês, segundo o relato de Elenice. O medicamento não é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nem coberto por planos de saúde, e ela trabalha em dois hospitais para pagar o tratamento. A paciente diz que pretende migrar para os comprimidos quando estiverem disponíveis.

A enxaqueca é uma doença neurológica de base genética, e não apenas uma dor de cabeça. Pode causar dor latejante, geralmente em um lado da cabeça, além de náuseas, vômitos, tontura e sensibilidade à luz e ao ruído. Algumas pessoas também têm aura, com alterações visuais ou formigamentos.

O neurologista Fernando Kowacs, coordenador do Núcleo de Cefaleia do Hospital Moinhos de Vento e integrante da Sociedade Brasileira de Cefaleia, afirma que a dor varia de moderada a incapacitante. A frequência das crises e os sintomas podem afetar o trabalho, o sono, as atividades cotidianas e a vida social.

Um levantamento de 2026 da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces), feito em parceria com a farmacêutica Teva, estima que 23 milhões de brasileiros tenham diagnóstico de enxaqueca. Outros 27 milhões poderiam viver com a doença sem confirmação médica, segundo a pesquisa. O Ministério da Saúde não mantém um total oficial de diagnósticos, mas contabiliza os atendimentos no SUS: foram 392 mil em 2025, dos quais cerca de 20,5 mil no Rio Grande do Sul.

A prevenção não se limita aos medicamentos que atuam sobre o CGRP. A toxina onabotulínica A, conhecida como Botox, também é usada em casos de enxaqueca crônica, caracterizada por 15 ou mais dias de dor por mês. A aplicação médica ocorre em pontos da cabeça e do pescoço e pode bloquear a liberação de substâncias relacionadas à dor por, em média, três a quatro meses. A resposta varia de pessoa para pessoa.

Há ainda remédios de tratamento agudo, prescritos para aliviar ou interromper uma crise já iniciada. Eles são diferentes dos preventivos, usados continuamente para reduzir a frequência dos episódios. A automedicação pode atrasar a identificação da doença: a presidente da Abraces, neurologista Ivy Liger, afirma que o tempo médio para obter diagnóstico no Brasil é de 17 anos.

O diagnóstico é feito principalmente com base no histórico e nas características das crises. Não há exame de imagem que confirme a enxaqueca; tomografias e ressonâncias podem ser solicitadas para investigar outras causas. No SUS, as Unidades Básicas de Saúde são a porta de entrada para avaliação e tratamento, e a orientação é procurar atendimento quando as dores se repetem ou prejudicam a rotina. A doença não tem cura, mas há opções para diminuir a frequência e a intensidade das crises.

Para entender

CGRP
Sigla em inglês para o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, uma molécula envolvida nos processos ligados à enxaqueca. Medicamentos que atuam nessa via podem ser usados para prevenir crises.
Fremanezumabe
Anticorpo monoclonal aplicado por injeção que interfere na ação do CGRP. É usado como tratamento preventivo da enxaqueca, com o objetivo de reduzir a frequência das crises.

Fontes: Zero Hora

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