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Domingo, 18 de outubro de 2026

Pedro Sánchez convoca eleições após rompimento com o Junts

A votação será em 29 de novembro, após o partido catalão retirar apoio ao governo e ajudar a derrubar decretos sobre habitação.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pedro Sánchez fala em um evento público em um ambiente institucional. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pedro Sánchez fala em um evento público em um ambiente institucional.
Resumo em 30 segundos

Pedro Sánchez antecipou para 29 de novembro as eleições gerais espanholas, previstas inicialmente para 2027. A decisão ocorre após o Junts romper o apoio ao governo e se juntar à oposição para derrubar decretos sobre habitação. Sánchez aposta que a crise dos aluguéis mobilize eleitores, enquanto o PP lidera as pesquisas citadas.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, convocou eleições gerais antecipadas para 29 de novembro, após dissolver o Parlamento no início de outubro. A votação, prevista originalmente para 2027, ocorrerá em meio ao rompimento do apoio do partido catalão Junts, que ajudou a manter o socialista no poder depois das eleições de 2023.

Sánchez governa desde 2018. Em 2023, antecipou as eleições após o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) perder disputas regionais. O Partido Popular (PP), de oposição, venceu a votação nacional, mas não conseguiu formar uma maioria para governar. Sánchez permaneceu no cargo com o apoio de partidos regionais e separatistas, entre eles o Junts.

Para obter apoio parlamentar, o governo aprovou uma lei de anistia para separatistas catalães envolvidos no referendo de independência de 2017, considerado ilegal, e renegociou uma dívida da administração catalã com o Estado espanhol. Também fez concessões a independentistas bascos. A aliança, porém, se desfez neste mês, quando o Junts se juntou ao PP, ao Vox e a outros partidos separatistas para derrubar dois decretos do governo sobre habitação.

Os decretos foram apresentados após protestos contra despejos e aumentos de aluguel. Um dos casos que gerou mobilização foi o de Maricarmen Abascal, moradora de Madri de 87 anos e com deficiência. Depois que um fundo de investimentos comprou o imóvel em que ela vivia, o aluguel aumentou 230%. Abascal morreu no início de outubro, após o início das manifestações e a convocação das eleições.

A crise habitacional pode se tornar um dos temas centrais da campanha de Sánchez. Ao anunciar a antecipação do pleito, o premiê afirmou que os eleitores terão de escolher entre uma “onda de extrema-direita” e a continuidade de uma Espanha comprometida com “abertura, justiça social e responsabilidade ambiental”. A queda dos decretos permite ao governo apresentar medidas que defendia, mas que foram rejeitadas pelo Parlamento.

O professor de ciência política da Universidade de Valência Asbel Bohigues avaliou que a derrota parlamentar expôs a fragilidade do governo, mas também abriu espaço para Sánchez mobilizar eleitores insatisfeitos com a situação da moradia. Para ele, a estratégia depende de o premiê conseguir manter o tema no centro da disputa e transformar essa preocupação em votos.

O PP lidera as pesquisas citadas para a eleição e pode tentar formar uma coalizão com o Vox, partido de direita nacionalista que aparece atrás do PSOE. Os dois partidos devem explorar outros assuntos para criticar o governo, incluindo imigração. Sánchez também enfrenta pressão por escândalos de corrupção envolvendo integrantes do PSOE, membros do governo e pessoas de sua família, entre elas a esposa, Begoña Gómez.

Durante o mandato, Sánchez recorreu a decretos-leis em diferentes ocasiões, inclusive para regularizar a situação de cerca de 500 mil imigrantes que viviam na Espanha sem autorização. O professor de relações internacionais Maurício Fronzaglia, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, disse que o premiê viu a crise de aluguéis como uma oportunidade para reforçar seu apoio diante da dificuldade de manter alianças parlamentares.

A disputa de novembro também definirá se Sánchez conseguirá formar uma maioria mais estável do que a atual. O resultado de 2023 mostrou que vencer a eleição não garante, por si só, a capacidade de governar: embora o PP tenha ficado à frente do PSOE, não reuniu apoio suficiente para assumir o governo, enquanto Sánchez conseguiu permanecer no cargo graças a acordos com partidos regionais.

Para entender

Junts
Partido político da Catalunha que defende a independência da região. A legenda apoiou a permanência de Pedro Sánchez no governo após as eleições de 2023, mas rompeu a aliança neste mês ao votar contra decretos do governo sobre habitação.

Fontes: Gazeta do Povo

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