Pedro Sánchez convoca eleições antecipadas na Espanha para novembro
O pleito será em 29 de novembro, após protestos pela crise de moradia e a rejeição, no Congresso, de um pacote habitacional do governo.
Resumo em 30 segundos
Pedro Sánchez dissolveu o Parlamento espanhol e convocou eleições antecipadas para 29 de novembro. O anúncio ocorreu após protestos contra a crise de moradia e a derrota de um pacote habitacional no Congresso. Pesquisas apontam o Partido Popular à frente, enquanto o governo enfrenta dificuldades para aprovar medidas e outras pressões políticas.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira (5) a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas para 29 de novembro. A decisão foi divulgada após protestos contra a crise de moradia e uma nova derrota do governo no Congresso, que ampliou as dúvidas sobre sua capacidade de aprovar medidas e permanecer no poder até o fim da legislatura.
A alta dos preços de imóveis e aluguéis tornou o acesso à moradia um dos principais problemas sociais do país. Moradores e movimentos sociais criticam plataformas de locação por temporada e fundos de investimento, que acusam de elevar os preços e reduzir a oferta de imóveis para residentes.
A pressão aumentou na última semana com a repercussão do despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos. Ela deixou o apartamento onde viveu por sete décadas depois que uma empresa comprou o imóvel e tentou elevar o aluguel em 275%. O valor mensal, inicialmente de 500 euros, chegou a 2.650 euros e depois foi reduzido para 1.650 euros — ainda 300 euros acima da aposentadoria da idosa.
Na sexta-feira, o Congresso rejeitou um pacote do governo para enfrentar a crise. A proposta previa suspender até 2030 despejos de inquilinos em situação de vulnerabilidade, estender por dois anos contratos com vencimento anterior a 2028 e instituir a renovação automática de contratos de aluguel. Sem maioria parlamentar, o Executivo enfrenta dificuldades para aprovar projetos e avançar com sua agenda.
Sánchez vinha tentando aprovar medidas para a área habitacional há meses. Ao convocar a eleição, afirmou que precisa de “uma maioria muito mais ampla e progressista” no Parlamento para realizar reformas pendentes e reduzir a desigualdade. A disputa antecipada também será uma oportunidade para o primeiro-ministro mobilizar eleitores progressistas diante do avanço da direita.
Pesquisas recentes de intenção de voto colocam o Partido Popular (PP), de oposição e conservador, à frente. O Vox, partido de extrema direita e terceira força política espanhola, pode apoiar a sigla. Os resultados da eleição definirão a composição do Parlamento e a capacidade do próximo governo de aprovar medidas.
Além da crise de moradia, Sánchez enfrenta críticas pela gestão da questão migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África. No fim de julho, milhares de imigrantes entraram na cidade a partir do Marrocos. Também pressionam o primeiro-ministro investigações sobre suspeitas de corrupção envolvendo pessoas próximas, entre elas sua esposa, seu irmão e aliados do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).