Operação Tomada de Contas prende presidente e afasta corregedor do TCE
A investigação da PF apura suspeita de propinas de R$ 26 milhões em dez meses; Guilherme Maluf foi afastado e está proibido de deixar o país.
Resumo em 30 segundos
Na Operação Tomada de Contas, a Polícia Federal prendeu preventivamente o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, e o ministro Og Fernandes determinou o afastamento do corregedor Guilherme Maluf. Investigadores estimam que os dois conselheiros teriam recebido R$ 26 milhões em dez meses. Maluf não foi preso e está sujeito a medidas cautelares.
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, foi preso preventivamente, e o corregedor da Corte, Guilherme Antônio Maluf, foi afastado do cargo nesta quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas. A Polícia Federal investiga um esquema de propinas ligado à liberação de recursos para empresas e fornecedores do tribunal; segundo os investigadores, os dois conselheiros teriam recebido R$ 26 milhões em dez meses.
A estimativa foi feita com base em dados bancários obtidos após a quebra de sigilo autorizada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Do total atribuído aos conselheiros, R$ 15,4 milhões teriam sido destinados a Sérgio Ricardo e R$ 10,6 milhões a Maluf. No mesmo intervalo, cada um recebeu em média R$ 288 mil em remuneração oficial, conforme o Portal da Transparência do TCE-MT.
A investigação aponta que recursos retirados dos cofres do tribunal eram convertidos em dinheiro vivo e repartidos entre 21 pessoas. O grupo suspeito envolveria servidores, assistentes técnicos e familiares de conselheiros. A operação mobilizou 180 policiais federais para cumprir 26 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva em Mato Grosso, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Segundo a PF, Sérgio Ricardo é suspeito de comandar a estrutura e usar o cargo para suspender contratos e bloquear pagamentos a fornecedores, sob justificativa de cortes orçamentários. Os investigadores afirmam que a interrupção dos repasses teria servido para pressionar empresas contratadas. Algumas tiveram pagamentos suspensos, enquanto outras mantiveram recebimentos e registraram aumentos de até 327% e 291% nas receitas.
Os contratos sob investigação abrangem serviços de limpeza, conservação, transporte, manutenção, eletricidade, recepção e apoio administrativo, além de publicidade. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), unidade de inteligência financeira, identificou 101 lançamentos destinados a Sérgio Ricardo. Entre as movimentações, R$ 304,9 mil foram registrados como salário; a maior parte ocorreu por ordens bancárias avulsas e pagamentos a fornecedores.
No caso de Maluf, a PF identificou 64 ordens bancárias avulsas, emitidas em pares com valores quase iguais para instituições financeiras diferentes. Conselheiro desde 2019, ele também foi vice-presidente do TCE-MT no biênio 2024-2025 e, segundo a investigação, conduziu a suspensão dos contratos analisados.
Maluf foi proibido de deixar o país, mas não recebeu ordem de prisão. Og Fernandes considerou que ele não faria parte do núcleo operacional suspeito e determinou medidas cautelares alternativas. O presidente e o corregedor não se manifestaram. Em nota, o TCE-MT afirmou que continuará atuando com responsabilidade, em conformidade com a lei e com sua função constitucional de controle externo.
Para entender
- TCE-MT
- O Tribunal de Contas de Mato Grosso é o órgão responsável por fiscalizar a aplicação de recursos públicos estaduais e municipais. Como outros tribunais de contas, auxilia o Poder Legislativo no controle externo da administração pública.