Polícia Civil investiga clínica por procedimentos invasivos em Nova Iguaçu
Buscas foram feitas nesta quinta-feira no estabelecimento e na casa da proprietária; paciente relata sedação, desmaios e lesões após atendimentos.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Civil investiga uma clínica de estética no Centro de Nova Iguaçu por suspeita de realizar procedimentos invasivos com profissionais sem habilitação. Uma paciente relatou desmaios e lesões, confirmadas em exame de corpo de delito. A polícia também apura o uso de dados de um profissional sem autorização e possíveis crimes.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga uma clínica de estética no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, por suspeita de realizar procedimentos invasivos com profissionais sem habilitação. Nesta quinta-feira (22), agentes fizeram buscas no estabelecimento e na casa da proprietária.
A investigação começou em 5 de outubro, quando policiais da 52ª DP (Nova Iguaçu) foram à clínica apurar uma denúncia. Na ocasião, apreenderam 16 ampolas de Midazolam, medicamento controlado usado para sedação. A origem dos frascos está sob investigação.
Uma paciente contou à polícia que contratou um procedimento divulgado como “hidrolifting”. Segundo o relato, a intervenção incluiu a introdução de uma cânula, a aspiração de gordura do abdômen e a aplicação desse material nos glúteos — etapas com características de lipoaspiração. Ela disse que recebeu sedativos e desmaiou três vezes durante o atendimento, realizado, segundo a denúncia, por uma profissional que ainda não havia concluído a formação.
A mulher também relatou dores e o surgimento de nódulos nos glúteos após outro procedimento. Um exame de corpo de delito confirmou lesões corporais, de acordo com a Polícia Civil. Cânulas são tubos finos que podem ser inseridos sob a pele; a aspiração de gordura é uma intervenção invasiva, diferente de tratamentos estéticos superficiais.
A investigação também identificou publicações em redes sociais e mensagens em um grupo de WhatsApp da clínica em que clientes relatavam dores fortes durante atendimentos. Em uma das conversas, uma pessoa apontada como responsável pelo estabelecimento escreveu que procedimentos que penetram na pele podem causar dor e afirmou: “Mas ninguém morreu ou vai morrer por causa disso”. Em outra mensagem, ironizou que quem não quisesse sentir dor poderia usar creme ou fazer lipoaspiração com anestesia geral.
A paciente afirmou que “apagou mais de uma vez” e saiu do consultório “grogue”. Ela também disse: “Se eu soubesse que isso seria com anestesia local, não teria feito”.
Outro ponto apurado é o possível uso indevido dos dados de um profissional apresentado como responsável técnico. Em depoimento, ele negou ter assumido essa função, recebido pagamentos ou autorizado o uso de um carimbo com seu nome, localizado no estabelecimento.
A polícia apura possíveis crimes de exercício ilegal da medicina, lesão corporal, exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, falsidade documental e infrações contra as relações de consumo. A investigação continua para identificar outras possíveis vítimas, esclarecer quais procedimentos eram feitos e determinar a responsabilidade dos envolvidos.