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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Márcio Canella é preso em operação sobre rede de postos no Rio

A PF o aponta como articulador de um grupo que teria movimentado R$ 7,6 bilhões; a Justiça também suspendeu 112 empresas, incluindo 96 postos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Postos de combustíveis fechados com veículos policiais ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Postos de combustíveis fechados com veículos policiais ao fundo.
Resumo em 30 segundos

O deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella foi preso preventivamente na oitava fase da Operação Unha e Carne. A PF investiga uma rede de postos de combustíveis que teria movimentado R$ 7,6 bilhões e aponta Canella como articulador político do grupo. A defesa afirma que confia na Justiça e espera que os fatos sejam esclarecidos.

O deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) foi preso preventivamente nesta quinta-feira (15), no Rio de Janeiro, em uma operação da Polícia Federal (PF). A investigação o aponta como articulador político de uma organização criminosa ligada a uma rede de postos de combustíveis que movimentou R$ 7,6 bilhões, segundo estimativa do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A ordem de prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na oitava fase da Operação Unha e Carne. A decisão também autorizou a prisão de outras cinco pessoas, buscas e apreensões e o bloqueio de até R$ 700 milhões em bens e valores dos investigados. A Justiça suspendeu ainda as atividades de 112 empresas, incluindo 96 postos.

A PF descreve Canella como “patrono político e articulador de alto escalão” do grupo e diz que ele seria o elo entre o poder público, a rede econômica e integrantes armados. A estimativa de R$ 7,6 bilhões abrange movimentações de 835 pessoas e empresas entre 11 de maio de 2020 e 12 de março de 2026. O valor representa o total movimentado pela rede investigada, não necessariamente a quantia comprovadamente lavada.

Os investigadores afirmam que Canella teria articulado a indicação de Marcus Vinicius Amim Fernandes para a presidência do Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ) e para a Secretaria de Polícia Civil. Segundo a PF, uma mudança na legislação estadual flexibilizou o tempo mínimo de carreira exigido para ocupar o cargo, permitindo a nomeação de Amim, que tinha dez anos como delegado.

A investigação também aponta supostas conexões do grupo com milícias e o tráfico de drogas. Entre os elementos citados estão a nomeação, em Belford Roxo, de ex-vereadores investigados por possível ligação com milícia e a relação com Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado como líder miliciano.

A PF menciona ainda gravações em que um capitão da Polícia Militar, posteriormente expulso da corporação, conversa com integrantes do Comando Vermelho. Segundo os investigadores, ele atuaria como intermediário de interesses da gestão municipal chefiada por Canella. A representação afirma que traficantes teriam removido barricadas para permitir obras da prefeitura e que, em troca, haveria redução de incursões policiais e retomada do controle territorial pelo grupo após as obras.

Na casa de Canella, os agentes apreenderam armas e munições, além de relógios de marcas de luxo, dois carros e duas motocicletas. Moraes afirmou que o armamento, embora não seja conclusivo por si só, reforça a avaliação de risco à ordem pública e à investigação. A PF também cita registros manuscritos encontrados na casa de um investigado, com anotações de repasses atribuídos a Canella, e transferências em dinheiro de postos ligados à apuração.

A análise bancária citada pela PF aponta que Canella recebeu cerca de R$ 2,59 milhões entre maio de 2025 e abril de 2026. Desse total, R$ 1,4 milhão teria vindo de uma empresa da qual ele é sócio. Os investigadores dizem que não foi possível identificar a origem primária dos recursos e que parte do dinheiro foi repassada a familiares e pessoas de seu círculo político. A PF afirma que ele não aparece como operador direto das movimentações, mas como beneficiário recorrente de valores ligados ao núcleo econômico investigado.

Em nota, a defesa de Canella afirmou que ele confia em Deus e na Justiça e tem certeza de que os fatos serão esclarecidos. Canella é filiado ao União Brasil; as informações da investigação não indicam sua posição ideológica nem uma relação específica com Flávio Bolsonaro. Também não há, no material divulgado sobre a operação, informação sobre sua altura.

Para entender

Operação Unha e Carne
Investigação da Polícia Federal sobre uma organização criminosa e uma rede de postos de combustíveis. A apuração examina suspeitas de lavagem de dinheiro e de conexões entre integrantes do grupo, agentes públicos e organizações armadas.
Coaf
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras é a unidade de inteligência financeira do Brasil. Recebe e analisa comunicações sobre operações que podem indicar lavagem de dinheiro ou outros ilícitos e produz relatórios para autoridades competentes.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo

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