OpenAI restringe acesso ao GPT-6 Cyber a clientes aprovados
O modelo identificou 81 falhas graves no Firefox e criou códigos de exploração para 948 falhas no kernel do Linux, segundo testes da empresa.
Resumo em 30 segundos
Voltado à cibersegurança, o GPT-6 Cyber encontrou vulnerabilidades e produziu códigos de exploração em avaliações internas da OpenAI. A empresa limitará o acesso a participantes aprovados em um programa de segurança digital e afirma ter incluído bloqueios contra atividades perigosas. No ExploitGym, o modelo superou dois sistemas anteriores da companhia.
A OpenAI anunciou o GPT-6 Cyber, modelo de inteligência artificial voltado à cibersegurança, que encontrou dezenas de vulnerabilidades em testes internos. A ferramenta será oferecida apenas a clientes corporativos aprovados em um programa da empresa e foi projetada para identificar falhas e desenvolver códigos capazes de explorá-las, inclusive sem intervenção humana.
Em avaliações da própria OpenAI, o modelo identificou 81 vulnerabilidades de alta gravidade, até então desconhecidas, no navegador Mozilla Firefox. Também produziu códigos de exploração funcionais para 948 falhas no kernel do Linux, o núcleo do sistema operacional; 588 delas não eram conhecidas anteriormente.
No ExploitGym, teste que avalia a capacidade de uma inteligência artificial de explorar vulnerabilidades, o GPT-6 Cyber obteve 48,5% de precisão. O resultado ficou acima dos 42,4% do GPT-6 Astra, modelo de uso geral da empresa, e dos 32,1% alcançados pelo GPT-5.6 Cyber.
A OpenAI afirma que o sistema pode encontrar e explorar falhas zero-day em diferentes níveis de gravidade. O termo designa vulnerabilidades ainda desconhecidas ou sem correção disponível, o que pode dar a atacantes uma oportunidade de agir antes que os responsáveis pelos sistemas consigam se proteger.
A capacidade também traz riscos de uso malicioso. Por isso, a empresa restringiu o acesso ao modelo e incorporou bloqueios para atividades perigosas, como ataques a infraestruturas críticas, incluindo usinas e estações de tratamento de água. O acesso será limitado a participantes aprovados no Daybreak Red, programa voltado a trabalhos de cibersegurança e simulações de ataques, conhecidos como red-teaming.
A OpenAI também avaliou o modelo no ExploitGym HoneyPot, teste relacionado a ações fora dos limites estabelecidos. Nessa avaliação, a taxa caiu para menos de 1%, ante 5% na versão anterior. Fouad Matin, chefe da equipe de preparação cibernética e segurança da empresa, afirmou que o modelo segue as instruções em mais de 99% do tempo e que a avaliação de riscos é uma prioridade.
O anúncio ocorre em meio à disputa por ferramentas de inteligência artificial para segurança digital. Entre as iniciativas citadas estão o Gemini 4 Argon, do Google, e o Glasswing, da Anthropic. A oferta restrita busca permitir que especialistas usem o sistema para detectar e corrigir brechas, ao mesmo tempo que reduz o risco de a tecnologia ser empregada para ataques.
Para entender
- Vulnerabilidade zero-day
- É uma falha de segurança desconhecida pelos responsáveis por um sistema ou para a qual ainda não há correção disponível. Até que a falha seja identificada e corrigida, sistemas vulneráveis podem ficar expostos a ataques.
- Red-teaming
- Prática em que especialistas simulam ataques para encontrar vulnerabilidades e avaliar a segurança de sistemas. Os resultados ajudam a identificar riscos e a desenvolver medidas de proteção antes que agentes mal-intencionados explorem as falhas.