OMS estima que 240 milhões de adolescentes são pouco ativos
Estudo com mais de 3,2 milhões de jovens indica que o cenário mudou pouco em 15 anos; meninas são menos ativas que meninos.
Resumo em 30 segundos
Um estudo da OMS estima que 240 milhões de adolescentes de 11 a 17 anos não atingiram a recomendação de pelo menos 60 minutos diários de atividade física em nenhum dia da semana. A pesquisa reuniu levantamentos de 140 países e territórios. Meninas apresentaram índices menores de atividade diária do que meninos.
Um em cada quatro adolescentes de 11 a 17 anos no mundo não praticou atividade física em nenhum dia da semana, considerando a recomendação de pelo menos 60 minutos por dia. O dado faz parte de um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado nesta quarta-feira, que estima em 240 milhões o número de jovens nessa situação e aponta que o cenário pouco mudou em 15 anos.
A pesquisa reuniu dados de 389 levantamentos feitos em 140 países e territórios, com mais de 3,2 milhões de adolescentes. Em média, os jovens relataram atividade física em 2,7 dias por semana. Apenas 14% disseram ser ativos todos os dias, abaixo da meta da OMS para 2030, de pelo menos 23%.
A diferença entre meninas e meninos aparece tanto na falta de atividade quanto na prática diária. Entre as meninas, 28% não se exercitaram em nenhum dia da semana anterior, ante 22% dos meninos. Já entre os que se movimentaram diariamente, os percentuais foram de 11% e 17%, respectivamente. Segundo a OMS, as meninas eram menos ativas em quase todos os países e regiões analisados.
Os resultados também variaram bastante entre os países: em alguns, 4% dos adolescentes não fizeram atividade física em nenhum dia; em outros, a proporção passou de 40%. A organização afirma que não há uma causa única. Transporte, segurança de espaços públicos e de rotas para caminhar ou pedalar, oportunidades nas escolas, custos, normas sociais e estilos de vida mais ligados a telas podem influenciar a prática.
A recomendação de 60 minutos diários considera atividades que movimentem o corpo, como caminhar, pedalar, brincar ou praticar esportes. A OMS associa a inatividade física a maior risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. O impacto, porém, não se limita à saúde física: a organização também cita efeitos possíveis sobre aprendizagem, cérebro, autoconfiança, participação social e bem-estar futuro.
Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, não basta pedir que os adolescentes se esforcem mais. Ele defendeu ambientes em que seja seguro e acessível se movimentar, brincar e praticar esportes. A organização recomenda ações coordenadas nas áreas de educação, transporte, planejamento urbano, esporte e saúde, com atenção especial à ampliação das oportunidades para meninas.
Entre as medidas sugeridas estão promover atividade física nas escolas, criar rotas seguras para caminhadas e bicicletas e planejar comunidades que facilitem o movimento no cotidiano. A OMS avalia que esses espaços podem ajudar crianças e adolescentes a desenvolver hábitos ativos desde cedo.