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Domingo, 11 de outubro de 2026

Netanyahu pede investigação sobre participantes do documentário Naza

O filme premiado em Veneza reúne depoimentos anônimos de 24 militares e agentes de inteligência sobre mortes de civis em Gaza.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Sala de cinema com a tela exibindo, sem detalhes, prédios danificados em Gaza. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Sala de cinema com a tela exibindo, sem detalhes, prédios danificados em Gaza.
Resumo em 30 segundos

Netanyahu pediu que autoridades investiguem os 24 integrantes das forças de segurança israelenses que deram depoimentos anônimos ao documentário “Naza”. Eles afirmam que civis foram mortos deliberadamente durante bombardeios em Gaza. O Exército rejeitou as acusações, e o premiê também anunciou que pretende propor uma lei para retirar cidadania de quem difamar soldados israelenses.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pediu neste domingo (11) uma investigação sobre integrantes das forças de segurança que deram depoimentos anônimos ao documentário “Naza”. Os participantes afirmam que militares israelenses mataram civis deliberadamente durante bombardeios na Faixa de Gaza, no contexto da guerra contra o Hamas. A produção foi premiada no Festival de Veneza e provocou críticas de autoridades israelenses.

Segundo o gabinete de Netanyahu, ele solicitou ao chefe do Estado-Maior, ao chefe do serviço de segurança interna e à procuradora-geral do Estado que conduzam uma investigação abrangente e levem os participantes à Justiça. O filme reúne relatos de 24 integrantes do Exército e dos serviços de inteligência israelenses.

Os depoentes descrevem práticas que, segundo eles, resultaram na morte intencional de civis durante ataques contra o Hamas. O Exército israelense rejeitou categoricamente as acusações e questionou a confiabilidade dos participantes, que não aparecem identificados no documentário.

“Naza” é uma sigla militar israelense para a estimativa de “danos colaterais” feita antes de cada bombardeio, segundo a produção. Nesse contexto, o termo se refere a vítimas e danos a civis que podem ser previstos como consequência de uma operação. O filme recebeu o Prêmio do Júri da Mostra de Veneza e, após a exibição, foi aplaudido por 25 minutos.

Netanyahu afirmou que a produção apresenta “uma narrativa falsa, enganosa e tendenciosa, que difama o Estado de Israel e o Exército em todo o mundo”. O premiê também disse que pretende propor um projeto de lei para retirar a cidadania de pessoas que, em sua avaliação, difamarem soldados das Forças de Defesa de Israel.

Os diretores Yuval Abraham e Rachel Szor foram acusados de traição por alguns ministros e ameaçados de perder a nacionalidade israelense. A controvérsia se concentra nas denúncias feitas por militares e agentes de inteligência e na resposta do governo e das Forças Armadas.

A guerra em Gaza começou após o ataque do Hamas em território israelense, em 7 de outubro de 2023. O Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, contabiliza mais de 74 mil mortos no conflito; a Organização das Nações Unidas considera confiáveis os números divulgados pelo órgão. O ataque do Hamas deixou 1.221 mortos, segundo uma contagem baseada em dados oficiais israelenses.

Para entender

Danos colaterais
Expressão usada para descrever mortes, ferimentos ou prejuízos a civis e a estruturas não militares que ocorrem como consequência de uma operação militar. No documentário, “Naza” é apresentado como o cálculo dessas possíveis consequências antes de um bombardeio.

Fontes: Folha de S.Paulo

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