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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Negócios das favelas do Rio enfrentam falta de crédito e informalidade

Pesquisa do Data Favela aponta que 55% citam falta de recursos, enquanto 66% dos que buscaram financiamento tiveram dificuldade para obter crédito.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Empreendedor organiza produtos em um pequeno comércio de uma comunidade do Rio de Janeiro. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Empreendedor organiza produtos em um pequeno comércio de uma comunidade do Rio de Janeiro.
Resumo em 30 segundos

Quase quatro em cada dez moradores de favelas do Rio têm negócio próprio, mas a falta de capital e as barreiras para conseguir crédito dificultam o crescimento. Levantamento do Instituto Data Favela também identificou que 57% dos empreendedores entrevistados não tinham CNPJ. O tema foi debatido no Fórum Extra Favelas.

Quase quatro em cada dez moradores de favelas do Rio de Janeiro têm negócio próprio, mas a falta de capital, as dificuldades para obter crédito e a informalidade limitam o crescimento dessas iniciativas. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (3), durante a terceira edição do Fórum Extra Favelas, realizado na Editora Globo, na capital fluminense.

O levantamento do Instituto Data Favela ouviu 1.674 moradores. Entre os entrevistados, 55% apontaram a falta de recursos para investir como uma das principais dificuldades; entre os que tentaram conseguir financiamento, 66% relataram problemas de acesso ao crédito. A pesquisa também identificou que 57% dos empreendedores não tinham Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

A ausência de CNPJ caracteriza a informalidade e pode dificultar o acesso a linhas de financiamento, a contratação por empresas maiores e a expansão das operações. A formalização, por outro lado, não elimina sozinha os obstáculos: empreendedores também podem precisar de orientação, estrutura e conexões para desenvolver o negócio.

“Falta, de fato, colocar o dinheiro na mesa”, afirmou Cléo Santana, sócia-diretora da Escola de Negócios da Favela e CEO do Data Favela. Ela disse que muitos empreendedores já oferecem produtos e serviços, mas não conseguem recursos, informações ou contatos para ampliar a atividade.

Carla Panisset, gerente de Empreendedorismo Social do Sebrae Rio, defendeu que o apoio considere o estágio de cada empreendimento. Segundo ela, é importante aproximar os negócios de instituições de apoio, aceleradoras e agentes de crédito: alguns precisam de orientação para começar, enquanto outros estão em condições de buscar novos mercados.

O presidente da Câmara Municipal do Rio, Carlo Caiado, defendeu reduzir a burocracia para formalizar pequenos negócios. Para ele, facilitar a entrada na economia formal pode ajudar empreendimentos de menor porte a ampliar suas atividades. José Luciano dos Santos, sócio-diretor da Revelog Ambiental, apontou oportunidades na reciclagem e na economia circular, que transforma resíduos em produtos com valor comercial.

O debate reuniu representantes do poder público, empreendedores e organizações sociais. Um dos temas foi reconhecer os empreendedores das comunidades como agentes econômicos, e não apenas como destinatários de projetos sociais. A discussão também destacou que crédito, formalização e apoio adequado podem abrir caminhos para que negócios já existentes alcancem novos mercados e cresçam.

Fontes: Valor Econômico

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