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Sábado, 31 de outubro de 2026

Motoristas têm até 16 de novembro para pagar pedágio free flow

Após o prazo de transição, passagens em aberto podem gerar multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH por ocorrência.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Carros passam sob pórticos de cobrança eletrônica em uma rodovia. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Carros passam sob pórticos de cobrança eletrônica em uma rodovia.
Resumo em 30 segundos

Motoristas podem regularizar até 16 de novembro tarifas pendentes em pedágios eletrônicos free flow sem receber multa por evasão. A partir do dia 17, cada passagem não paga dentro do prazo poderá resultar em multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. As cobranças podem ser consultadas em canais das concessionárias e no aplicativo CNH do Brasil.

Motoristas com tarifas pendentes em pedágios eletrônicos free flow têm até 16 de novembro para quitar os débitos sem receber multa por evasão. A partir de 17 de novembro, passagens não pagas dentro do prazo voltarão a gerar autuações, no valor de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por infração, segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

O prazo de regularização, de 200 dias, foi estabelecido pelo governo federal e pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) como período de transição. A medida suspendeu temporariamente as multas enquanto os motoristas podiam acertar tarifas vencidas. Mais de 1 milhão de multas foram canceladas após a regularização dos pagamentos, de acordo com os dados apresentados pela ABCR.

O free flow é um sistema de cobrança sem praças ou cancelas: pórticos instalados sobre a rodovia identificam a passagem do veículo, por meio de uma tag ou da leitura da placa. Quem não tem tag precisa consultar e pagar a tarifa pelos canais disponibilizados pela concessionária. O débito não desaparece por falta de aviso: após o fim do prazo, a tarifa pendente pode resultar em multa por evasão.

O presidente da ABCR, Marco Aurélio Barcelos, afirmou que parte dos motoristas adiou o pagamento durante a suspensão das penalidades. Segundo ele, isso não significava inadimplência naquele período, porque a regra temporária permitia quitar as tarifas depois do prazo habitual de 30 dias. A associação relata que caminhoneiros e proprietários de veículos comerciais estiveram entre os que postergaram pagamentos para organizar o caixa.

Barcelos orienta os condutores a verificar o histórico de passagens e eventuais cobranças em aberto antes de 16 de novembro. A consulta pode ser feita no aplicativo CNH do Brasil, nos sites das concessionárias e, em São Paulo, no SigaFácil. O aplicativo reúne dados de cobrança de diferentes operadoras e pode notificar o motorista quando há tarifa pendente.

A integração com a CNH do Brasil mudou o fluxo de comunicação: a concessionária encaminha os dados da placa à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), e o aplicativo pode avisar o usuário. A ferramenta busca concentrar informações que antes ficavam espalhadas entre os sistemas de cada concessionária. A ABCR informou que mais de 80 milhões de pessoas estão cadastradas no aplicativo.

Quem deixa de pagar pode ter consequências além da multa e dos pontos na carteira. A associação afirma que o débito pendente pode impedir o licenciamento do veículo e, assim, bloquear a emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) digital até a quitação dos valores. A tarifa em si pode ser de poucos reais ou até centavos, enquanto a penalidade prevista é de R$ 195,23 por passagem não paga.

A cobrança eletrônica já está em operação em diferentes rodovias do país. O primeiro sistema free flow brasileiro foi instalado em março de 2023, na rodovia Rio-Santos (BR-101). Atualmente, há mais de 90 pórticos no país, e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) prevê que o número dobre em 2027. São Paulo concentra 23 pórticos, dos quais 15 estão em funcionamento e oito ainda não cobram tarifa; o Paraná tem nove em operação e Goiás, dez.

A suspensão das multas também teve relação com dificuldades de informação e pagamento no início do sistema. Como cada concessionária mantinha canais próprios, alguns motoristas não sabiam onde consultar as passagens. Houve ainda golpes com páginas falsas que cobravam valores indevidos: levantamento da empresa de cibersegurança Kaspersky identificou 480 sites fraudulentos relacionados ao free flow.

A ABCR diz que a inadimplência pode afetar também quem paga regularmente. Em muitos contratos de concessão, segundo Barcelos, a empresa pode obter reequilíbrio de 90% do valor que deixa de receber, enquanto arca com os 10% restantes. O reequilíbrio pode repercutir em revisões tarifárias futuras, transferindo parte do custo aos usuários e ao poder público. A associação afirma que a maioria dos motoristas não tem débitos crônicos: cerca de 70% usam tags, proporção que chega a 80% em algumas rodovias.

Fontes: Estadão

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