Dom Mário pede união e rejeição ao ódio na missa de Aparecida
Na celebração desta segunda-feira, 12 de outubro, o arcebispo também defendeu uma paz desarmada e criticou a indiferença diante da pobreza e da violência.
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Dom Mário Antônio da Silva pediu união e rejeição ao ódio na missa de Nossa Senhora Aparecida, realizada em meio à polarização eleitoral. O arcebispo também criticou a indiferença diante da pobreza, da violência e das guerras. Romeiros de diferentes estados foram ao santuário, enquanto a programação religiosa seguiu ao longo do feriado.
O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, pediu união e rejeição ao ódio durante a missa do Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrada nesta segunda-feira (12) no Santuário Nacional, em Aparecida, no interior de São Paulo. “O evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente, nem a matar os inimigos”, afirmou na homilia.
A celebração ocorreu em meio à polarização eleitoral que colocou a santa no centro de uma disputa política. Dom Mário não fez referência explícita a candidatos, mas defendeu que os fiéis construam pontes em vez de aprofundar divisões. Ele também condenou a indiferença diante da fome, da pobreza, da violência, das guerras e da destruição da natureza.
Ao citar o papa Leão XIV, o arcebispo defendeu “uma paz desarmada e desarmante” e criticou os conflitos alimentados por armamentos e confrontos. Segundo ele, a Igreja se fortalece quando seus integrantes caminham juntos. Dom Mário assumiu a Arquidiocese de Aparecida em maio, substituindo dom Orlando Brandes, e conduziu pela primeira vez a missa da padroeira como arcebispo.
As homenagens reuniram romeiros de diferentes estados, que foram ao santuário para agradecer, cumprir promessas ou pedir graças. Parte dos peregrinos percorre a pé o acostamento da Via Dutra. A concessionária RioSP projetava que o fluxo deste ano superasse os 40 mil romeiros registrados em 2025 e preparou tendas com coletes e faixas reflexivas para orientar os caminhantes.
A concessionária também estuda a construção de uma via exclusiva para pedestres até Aparecida. O projeto depende de aprovação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e ainda não há previsão para o início das obras. Na rodovia, cones são usados para reservar espaço a quem caminha em trechos sem acostamento.
A programação religiosa começou à meia-noite, com a Vigília Mariana. O toque dos sinos, às 4h45, antecedeu missas ao longo do dia; a celebração das crianças estava prevista para o meio-dia. A Consagração Solene foi marcada para as 15h, na Basílica Histórica, e a missa de encerramento, para as 18h, seguida de procissão e show pirotécnico às 19h30.
A devoção a Nossa Senhora Aparecida remonta a outubro de 1717, quando três pescadores encontraram no rio Paraíba do Sul uma imagem de terracota. A representação de Nossa Senhora da Conceição passou a ser chamada de Aparecida por ter sido encontrada nas águas. O Vaticano reconheceu a santa como padroeira do Brasil em 1930, após pedido dos bispos brasileiros, e o dia 12 de outubro é feriado nacional desde 1980.
A controvérsia eleitoral recente foi alimentada por publicações falsas que associaram o senador Flávio Bolsonaro a uma proposta para retirar da santa o título de padroeira do Brasil. O projeto citado havia sido apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli e pretendia limitar o título aos católicos apostólicos romanos; foi arquivado no ano seguinte. Flávio negou querer alterar a condição da santa, e não há registro de declaração dele ou de sua assessoria defendendo essa mudança.
A missa de 12 de outubro é uma celebração religiosa em homenagem à padroeira e integra o calendário católico. A data é feriado nacional, mas isso não significa, por si só, que a participação na missa seja obrigatória para todos os brasileiros. Para os católicos, a obrigação de participar da missa se aplica aos domingos e às festas religiosas de preceito determinadas pela Igreja.
Para entender
- Nossa Senhora Aparecida
- A devoção surgiu após pescadores encontrarem uma imagem de terracota no rio Paraíba do Sul, em 1717. A Igreja Católica reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, e sua festa é celebrada em 12 de outubro.