Motiva prioriza aditivos e reequilíbrios para expandir negócios
Miguel Setas diz que leilões e aquisições de ativos existentes seguem no radar, mas não são prioridade; empresa também conversa com parceiros sobre a plataforma de trilhos.
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A Motiva pretende crescer principalmente por meio de aditivos e reequilíbrios de contratos de concessão em vigor. O presidente Miguel Setas afirmou que leilões e oportunidades de consolidação no mercado secundário são alternativas, mas menos prioritárias. A empresa também mantém conversas com potenciais parceiros sobre uma participação na plataforma de trilhos, sem processo formal de venda.
A Motiva pretende concentrar sua estratégia de expansão em aditivos a contratos de concessão em vigor e no reequilíbrio econômico-financeiro desses acordos, afirmou o presidente da companhia, Miguel Setas, nesta quinta-feira (29). A empresa também avalia oportunidades em leilões e no mercado secundário, mas sem tratá-las como prioridade.
Em teleconferência com analistas, Setas disse que a abordagem busca criar valor com prudência em um cenário de volatilidade. O reequilíbrio pode ser negociado na esfera administrativa ou buscado na Justiça e serve para recompor as condições econômicas de contratos quando mudanças afetam o equilíbrio previsto originalmente.
O executivo afirmou que os aditivos e reequilíbrios são a base do plano de crescimento. Sobre novos leilões, disse que as oportunidades mais relevantes se tornaram menos frequentes, embora algumas possam surgir nos próximos trimestres. A companhia também pode buscar consolidação no mercado secundário, que envolve a compra ou venda de ativos e participações já existentes, em vez de novas concessões.
Setas afirmou que o atual ambiente de juros elevados e volatilidade pode permitir à Motiva avaliar negócios de consolidação e, eventualmente, concretizá-los. A empresa, antiga CCR, não detalhou quais ativos ou operações estão sob análise.
A companhia mantém conversas com potenciais parceiros interessados em adquirir uma participação na plataforma de trilhos, mas não conduz um processo formal de venda, segundo o vice-presidente de finanças, Rodrigo Araújo. Ele afirmou que a prioridade é executar medidas para capturar valor do negócio, especialmente por meio de reequilíbrios contratuais.
Araújo disse que houve conversas com potenciais parceiros estratégicos ao longo do ano. A Motiva tem apresentado a plataforma a esses interessados, mas não tem pressa para concluir uma negociação. O executivo afirmou que a empresa busca maximizar a criação de valor, em vez de priorizar a redução do endividamento com uma eventual venda.
A plataforma reúne operações de mobilidade urbana sobre trilhos concentradas em uma mesma região. Araújo afirmou que a presença de operadores privados nesse segmento é incomum e que essa concentração pode tornar o ativo atraente para parceiros. A empresa não informou prazo para uma possível transação nem indicou se as conversas já avançaram para propostas concretas.
Para entender
- Reequilíbrio econômico-financeiro
- É um mecanismo usado em contratos de concessão para recompor as condições econômicas previstas originalmente quando mudanças afetam a relação entre obrigações, custos e receitas. A negociação pode ocorrer na esfera administrativa ou ser levada à Justiça.
- Mercado secundário
- No setor de concessões, refere-se à negociação de ativos ou participações que já existem, em vez da disputa por uma nova concessão em leilão. Pode envolver a entrada ou saída de investidores em negócios em operação.