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Domingo, 1 de novembro de 2026

Mojtaba Khamenei ameaça retaliar se EUA e Israel atacarem o Irã

A advertência ocorre enquanto Trump avalia uma nova ofensiva e Catar e Paquistão tentam mediar negociações; o Estreito de Ormuz segue bloqueado.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Petroleiro atravessa o Estreito de Ormuz ao entardecer, com embarcações ao longe. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Petroleiro atravessa o Estreito de Ormuz ao entardecer, com embarcações ao longe.
Resumo em 30 segundos

O líder supremo iraniano afirmou que o país responderá a novos ataques dos Estados Unidos e de Israel e ordenou a atualização da lista de alvos. Trump ainda não decidiu se retomará a ofensiva, enquanto mediadores tentam reabrir o diálogo. O bloqueio do Estreito de Ormuz e incidentes com navios elevam a tensão.

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, advertiu neste sábado, 31 de outubro, que o país responderá a novos ataques dos Estados Unidos e de Israel caso os bombardeios sejam retomados. A declaração foi feita em reunião com comandantes militares, em meio a ameaças do presidente americano, Donald Trump, de ordenar outra ofensiva e a esforços diplomáticos para evitar a escalada da guerra.

Khamenei afirmou que qualquer ameaça receberá uma resposta “imediata, contundente e sem limites geográficos”. Também determinou que os militares atualizem a relação de alvos iranianos para incluir ativos materiais e imateriais que, segundo ele, pertencem ao “inimigo americano-sionista”. O encontro foi o primeiro entre o líder supremo e a cúpula militar iraniana divulgado publicamente.

Trump indicou que poderá decidir por uma nova ação militar depois das eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para terça-feira. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que Washington continua aberto a uma saída negociada e que o presidente ainda não decidiu se retomará os ataques. “Se houver uma solução diplomática, estaremos abertos a ela”, afirmou Rubio.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã. Teerã respondeu com ataques a instalações e outros alvos americanos em países da região. Desde então, a navegação pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, foi restringida pelo governo iraniano.

A passagem marítima concentra normalmente cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. A interrupção do tráfego contribuiu para a alta dos preços internacionais da energia e aumentou os custos econômicos da guerra. O Irã também ameaçou atingir cabos submarinos no estreito, infraestrutura que transporta dados de internet entre regiões e países.

Neste sábado, a televisão estatal iraniana informou que um navio em trânsito pelo estreito atingiu uma mina marítima e pegou fogo. Na sexta-feira, a Guarda Revolucionária havia dito que três petroleiros interromperam a navegação após incidentes não esclarecidos ou colisões com minas. As informações sobre os episódios foram divulgadas por autoridades iranianas.

O bloqueio de Ormuz também pesa no debate político americano às vésperas das eleições de terça-feira. Uma vitória expressiva dos democratas pode limitar, em alguma medida, a capacidade de Trump de implementar suas políticas. Em Israel, o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conquistou o maior número de cadeiras na eleição legislativa, mas não obteve maioria para formar governo.

Netanyahu descreveu a situação como uma “oportunidade histórica e única” para derrubar o governo iraniano. A votação israelense ocorreu na terça-feira, mas a composição do próximo governo ainda não está definida. No Irã, o líder supremo não aparece em público desde antes de assumir o posto, em março, após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em ataques dos Estados Unidos e de Israel.

Enquanto as ameaças prosseguem, Catar e Paquistão tentam mediar as negociações. Mediadores catarianos chegaram a Teerã na sexta-feira, e o vice-presidente americano, JD Vance, enviou uma carta ao chefe de segurança iraniano, Mohsen Rezaei, por orientação de Trump, numa tentativa de retomar o diálogo. Rezaei confirmou que leu a mensagem, mas afirmou que ainda não respondeu; disse também que a mudança no tom americano era “um bom sinal”.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que não há previsão de reuniões com autoridades dos Estados Unidos. Segundo ele, as condições do Irã seguem em discussão com os mediadores. Rezaei afirmou que o país manterá o bloqueio do Estreito de Ormuz até que suas exigências sejam atendidas, incluindo a liberação de recursos financeiros congelados.

O porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, alertou que novos confrontos ampliariam a guerra para uma área geográfica maior. Araghchi também escreveu na rede social X que não haverá mais “linhas vermelhas”. Embora as iniciativas diplomáticas estejam em curso, ainda não há acordo definitivo para encerrar o conflito ou evitar novos ataques.

Para entender

Estreito de Ormuz
Passagem marítima entre o golfo Pérsico e o golfo de Omã, ladeada pelo Irã e pela península Arábica. É uma rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e também abriga cabos submarinos usados para transmitir dados.

Fontes: Estadão

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