Gadi Eisenkot acusa Netanyahu de usar Irã para ganhar eleição
O rival diz que o premiê mistura segurança e campanha; Netanyahu nega plano de atacar o Irã antes da votação e destaca o apoio de Donald Trump.
Resumo em 30 segundos
Gadi Eisenkot acusou Benjamin Netanyahu de explorar a tensão com o Irã para obter vantagem eleitoral e envolver as Forças Armadas na campanha. O primeiro-ministro negou relatos sobre uma operação antes da votação. Pesquisas apontam perda de cadeiras para o Likud, mas a oposição ainda não tem caminho definido para formar governo.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi acusado nesta segunda-feira por adversários de usar a tensão com o Irã para ganhar apoio às vésperas das eleições parlamentares. O principal rival, Gadi Eisenkot, afirmou que o premiê não deve colocar interesses políticos acima da segurança do país, enquanto Netanyahu negou relatos sobre uma possível operação militar antes da votação.
A controvérsia começou após o Canal 12 noticiar que o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, pediu esclarecimentos ao governo sobre uma ação contra o Irã que poderia provocar um confronto direto. Segundo a emissora, Zamir também solicitou garantias jurídicas e autorização formal dos líderes políticos antes de qualquer operação.
Netanyahu rejeitou a informação. O ministro da Defesa, Israel Katz, classificou como falsas as suspeitas de divergência entre o governo e as Forças Armadas e disse que não há intenção de atacar o Irã antes das eleições. Fontes militares citadas pela emissora, porém, demonstraram preocupação com o possível uso da questão iraniana para impulsionar a campanha do primeiro-ministro.
Nas redes sociais, Netanyahu publicou uma imagem de uma nuvem em forma de cogumelo sobre Tel Aviv e descreveu o Irã como uma ameaça existencial. Também mencionou o risco de um “segundo Holocausto” caso seja derrotado e afirmou que Teerã poderia interferir na eleição, citando informações de inteligência. Em outra publicação, compartilhou um vídeo criado por inteligência artificial no qual o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, aparece dizendo que votaria contra Netanyahu.
Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e principal adversário do premiê, acusou-o de recorrer ao medo e de envolver as Forças Armadas na disputa. O candidato também elogiou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de amigo de Israel, e disse confiar que ele cooperará com qualquer liderança escolhida pelos eleitores.
Netanyahu, por sua vez, destacou o apoio de Trump e afirmou que o presidente americano está disposto a tomar medidas para eliminar a ameaça iraniana. Trump pediu publicamente aos israelenses que votem no premiê. A porta-voz adjunta da Casa Branca, Anna Kelly, declarou que os Estados Unidos não atacarão o Irã antes das eleições legislativas americanas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
A disputa ocorre em meio a acusações de que Netanyahu pressionou Trump por novos bombardeios antes da eleição israelense. O primeiro-ministro afirma que derrubar o governo iraniano é a única forma de eliminar a ameaça. O Irã, por meio de um porta-voz, declarou que o resultado da votação não mudará a relação entre os países.
O líder da oposição, Yair Lapid, pediu que Netanyahu deixe o cargo, enquanto o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman defendeu uma investigação por traição. A eleição é a primeira desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. As pesquisas indicam perda de cadeiras para o Likud, partido de Netanyahu, mas seus adversários ainda não têm um caminho definido para formar governo.
Para entender
- Likud
- Partido político israelense de direita liderado por Benjamin Netanyahu. Sua representação no Parlamento é um fator importante para a formação de coalizões, já que o sistema parlamentar do país exige apoio de partidos para sustentar um governo.