Ministério Público de SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico
A acusação envolve desvio de produtos químicos da Anidrol entre 2016 e 2020; Cariani responde ao processo em liberdade, e a Justiça ainda decidirá.
Resumo em 30 segundos
O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani, Roseli Dorth e Fábio Spinola Mota por acusações relacionadas ao desvio de produtos químicos da Anidrol. A investigação aponta que cerca de 12 toneladas de substâncias foram desviadas para a produção de drogas. O pedido não significa condenação: a decisão cabe à Justiça.
O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça a condenação do influenciador e empresário Renato Cariani por tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. A acusação afirma que produtos químicos vendidos pela Anidrol, empresa da qual ele é sócio em Diadema, foram desviados entre 2016 e 2020 para a produção de cocaína e crack.
A Promotoria também pediu a condenação de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Fábio Spinola Mota, apontado como intermediário no esquema e membro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Cariani responde ao processo em liberdade. A decisão caberá ao juiz responsável, e não há prazo informado para a sentença.
O pedido foi apresentado na fase de alegações finais, etapa em que acusação e defesa expõem suas conclusões sobre as provas antes do julgamento. A defesa de Cariani afirmou que responderá aos argumentos do Ministério Público e que pretende demonstrar que são improcedentes. Os advogados disseram confiar no Judiciário. A defesa de Mota sustenta que as provas produzidas durante o processo refutam as acusações e confirmam o que ele declarou em interrogatório. O advogado de Dorth não havia se manifestado sobre o caso até a publicação da notícia.
A investigação da Polícia Federal (PF) aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de substâncias, entre elas acetona, éter etílico, ácido clorídrico, cloridrato de lidocaína, manitol e fenacetina. Esses produtos podem ser usados no processamento da pasta-base de cocaína para produzir a droga em pó ou em pedras de crack.
Segundo a PF, parte dos produtos adquiridos legalmente pela Anidrol era desviada, e notas fiscais falsas eram usadas para justificar as saídas. Depósitos em dinheiro apareciam em nome de terceiros, como se fossem pagamentos de empresas, e o nome da biofarmacêutica AstraZeneca teria sido usado sem autorização.
A apuração começou depois que a Receita Federal identificou um depósito de R$ 212 mil atribuído aparentemente à AstraZeneca. A empresa negou ter feito a movimentação e afirmou não ter ligação com a Anidrol. A investigação também apontou que Mota teria criado um domínio de internet e um endereço de e-mail em nome de um suposto funcionário da farmacêutica. A PF estima que o esquema possa ter movimentado mais de R$ 6 milhões.
Mota foi preso no início de 2023 durante a Operação Downfall, da Polícia Federal, que investigou um esquema de tráfico de drogas com ramificações no país. O caso envolvendo a Anidrol também foi alvo da Operação Hinsberg, deflagrada em dezembro de 2023 para apurar desvios de substâncias químicas. O pedido do Ministério Público não representa uma condenação: a decisão final será tomada pela Justiça após a análise das manifestações das partes.