Micron enfrenta greve de 24 horas em fábrica de Taiwan
A paralisação em Taoyuan cobra participação regular nos lucros, enquanto a Micron fechou acordo com o sindicato de Taichung que prevê reajustes e bônus trimestrais.
Resumo em 30 segundos
Trabalhadores da Micron em Taoyuan, Taiwan, iniciaram uma greve de 24 horas para cobrar participação regular nos lucros. A empresa fechou acordo com o sindicato de Taichung, com reajustes salariais, bônus trimestrais divididos entre dinheiro e ações, mais licença remunerada e contribuição previdenciária maior. O impacto da paralisação na produção não foi informado.
Trabalhadores da Micron em Taoyuan, no norte de Taiwan, iniciaram nesta quinta-feira uma greve de 24 horas, a primeira paralisação do setor de semicondutores na ilha. O sindicato cobra da fabricante americana de chips de memória um programa regular de participação nos lucros, em meio à alta da demanda por componentes usados em sistemas de inteligência artificial (IA).
A paralisação começou às 9h, horário local, diante da unidade da empresa. O sindicato afirma que a Micron não respondeu à proposta de participação nos lucros apresentada em várias rodadas de negociação mediadas pelo governo municipal de Taoyuan. Os trabalhadores defendem que a companhia adote medidas semelhantes às usadas por concorrentes sul-coreanas, como SK Hynix e Samsung Electronics.
A empresa mantém negociações há meses com dois sindicatos, que representam funcionários das unidades de Taoyuan e Taichung. Na quarta-feira, a Micron fechou um acordo com o sindicato de Taichung, que prevê reajuste salarial e bônus trimestrais vinculados ao desempenho financeiro da companhia. Os pagamentos serão divididos igualmente entre dinheiro e ações.
O pacote também inclui três dias adicionais de licença remunerada e maior contribuição da empresa aos planos de previdência. A Micron informou que as condições serão aplicadas em todas as suas unidades em Taiwan. Para calcular o orçamento dos bônus, a companhia subtrairá do lucro líquido do trimestre atual as despesas de capital previstas para o trimestre seguinte. Despesas de capital são investimentos em ativos de longo prazo, como fábricas e equipamentos.
Donghui Lu, vice-presidente corporativo de operações de front-end da Micron e chefe da empresa em Taiwan, disse que a companhia respeita o direito legal de greve e continua em diálogo com o sindicato de Taoyuan. “Agradecemos aos representantes sindicais em Taoyuan pela postura racional e respeitamos seu direito legal de greve. No entanto, continuamos em diálogo com eles e esperamos chegar a uma solução que seja benéfica para ambas as partes”, afirmou.
Lu classificou a mudança no sistema de bônus como incomum para uma multinacional e disse que as negociações podem servir de exemplo para o setor. Segundo ele, o plano seguirá, em linhas gerais, os princípios globais da Micron, mas a contribuição da empresa para os fundos de previdência dos funcionários em Taiwan subirá de 8% para 10%.
A Micron não informou qual será o impacto imediato da greve na produção. A unidade de Taoyuan se concentra principalmente em chips de memória dinâmica de acesso aleatório (DRAM), enquanto a fábrica de Taichung produz memória de alta largura de banda (HBM), além de realizar atividades avançadas de encapsulamento e testes. A HBM é usada em chips voltados à computação de IA.
A DRAM também serve de base para memórias HBM e para os padrões LPDDR e DDR, utilizados em diferentes aplicações de computação. Taiwan é um polo central para a produção da Micron: responde por mais de 60% de sua fabricação de DRAM. A empresa inaugurou na semana passada sua segunda fábrica de encapsulamento avançado em Taichung.
A unidade de Taoyuan tem cerca de 3 mil empregados, dos quais aproximadamente 2.400 são sindicalizados. Em Taichung, são cerca de 12.300 funcionários, incluindo aproximadamente 11 mil filiados ao sindicato local. Os dois sindicatos da Micron em Taiwan ampliaram sua base de pouco mais de 100 integrantes para mais de 13 mil em poucos meses.
Em setembro, a Micron ofereceu aos empregados um bônus adicional de 1 milhão de dólares taiwaneses, equivalente a US$ 30.700, além do pacote original. A proposta não encerrou o impasse: o sindicato continuou pedindo mudanças estruturais, entre elas reajustes salariais e participação nos lucros. Um gerente da empresa afirmou que os bônus pagos aos funcionários são menores do que os oferecidos na Coreia do Sul, apesar de os salários médios serem superiores aos de outras empresas do setor.
A disputa ocorre em um período de escassez de chips de memória, impulsionada pela expansão da infraestrutura de IA. Micron, Samsung e SK Hynix registraram lucros recordes nos últimos trimestres. O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, declarou esperar um acordo que seja aceitável para a empresa e os trabalhadores e contribua para o ambiente de trabalho na ilha. No início deste ano, funcionários da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. também discutiram a possibilidade de formar um sindicato e fazer greve por causa da distribuição dos lucros.
Para entender
- DRAM e HBM
- DRAM é um tipo de memória usado em computadores e outros equipamentos. A HBM, ou memória de alta largura de banda, empilha camadas de memória para permitir maior velocidade de transferência de dados e é usada em sistemas de computação avançada, inclusive em aplicações de inteligência artificial.