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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Mexilhão-dourado já ocorre em todos os municípios do rio Tocantins

O molusco invasor também foi registrado no rio Pará, em Curralinho e Muaná, na ilha de Marajó; pesquisadores não encontraram exemplares em Belém.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Colônia de mexilhões-dourados presa a uma grade submersa de captação de água. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Colônia de mexilhões-dourados presa a uma grade submersa de captação de água.
Resumo em 30 segundos

Um estudo publicado neste ano registra o mexilhão-dourado em todos os municípios banhados pelo rio Tocantins e também no rio Pará, em Curralinho e Muaná, na ilha de Marajó. A espécie invasora pode formar colônias que obstruem estruturas de hidrelétricas e afetar a biodiversidade e a infraestrutura locais.

O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), molusco invasor que pode obstruir estruturas de hidrelétricas, já foi registrado em todos os municípios banhados pelo rio Tocantins, segundo um estudo publicado neste ano. A pesquisa também atualizou a distribuição da espécie na região amazônica, incluindo ocorrências no rio Pará e em municípios da ilha de Marajó.

O primeiro registro amazônico ocorreu em outubro de 2023, no Tocantins, antes do que estudos anteriores previam. O artigo aponta que o molusco também foi encontrado no rio Pará, em Curralinho e Muaná, na ilha de Marajó. Os pesquisadores não localizaram exemplares em Belém durante o levantamento.

Com base nos registros analisados, os autores situaram o limite norte da ocorrência amazônica em Muaná e Barcarena, e o limite oeste em Curralinho e Oeiras do Pará. Eles afirmam que documentar a expansão é importante para avaliar riscos e desenvolver modelos que ajudem a prever futuras infestações.

O mexilhão-dourado é um bivalve de água doce originário da China e do Sudeste Asiático. É chamado de espécie exótica invasora porque foi introduzido fora de sua área natural e consegue se estabelecer e se reproduzir no novo ambiente, com potencial de se espalhar.

A espécie chegou à América do Sul em 1991, com um primeiro registro no Rio da Prata. A introdução provavelmente ocorreu pela água de lastro de embarcações asiáticas, usada para estabilizar navios. No Brasil, o primeiro registro foi feito no fim da década de 1990, na bacia do lago Guaíba, no Rio Grande do Sul.

O avanço preocupa porque os mexilhões se fixam em superfícies submersas e formam colônias densas. O acúmulo pode bloquear tubulações e grades de captação de água de usinas hidrelétricas, exigindo interrupções para limpeza e manutenção. Os pesquisadores também apontam possíveis impactos sobre a biodiversidade nativa e a infraestrutura nas áreas atingidas.

O ciclo de vida curto, de dois a três anos, o crescimento rápido — que pode chegar a 21 milímetros no primeiro ano — e a tolerância a diferentes condições ambientais favorecem a expansão. O comportamento séssil significa que, depois de se fixar, o animal permanece preso a uma superfície, o que facilita a formação de colônias.

O nome científico é escrito Limnoperna fortunei, e a espécie também é conhecida como mexilhão-dourado. As informações do estudo não tratam de sua comestibilidade nem apresentam dados sobre o genoma. A pesquisa foi publicada na revista científica Actapesca e destaca que o monitoramento de novos locais é necessário para orientar o gerenciamento dos riscos ambientais e econômicos.

Para entender

Espécie exótica invasora
É uma espécie introduzida fora de sua área natural que consegue se estabelecer e se reproduzir no novo ambiente. Ao se espalhar, pode afetar espécies nativas, ecossistemas e atividades humanas.

Fontes: Estadão, Gazeta do Povo

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