Filhote de elefante-marinho é monitorada na Praia do Cassino
Com 15 dias, a cria muda a pelagem e ganha peso enquanto mama; equipes ambientais pedem que visitantes mantenham distância e respeitem o isolamento.
Resumo em 30 segundos
A filhote nasceu na região da Querência, em Rio Grande, e passa pela primeira mudança de pelagem. A mãe deve permanecer na praia por cerca de mais uma semana antes de voltar ao mar para se alimentar. Equipes ambientais e veterinários monitoram os animais e pedem que o público respeite o isolamento da área.
Uma filhote de elefante-marinho nascida há 15 dias na região da Querência, na Praia do Cassino, em Rio Grande, está sob acompanhamento diário de equipes ambientais e veterinários. O animal passa pela primeira mudança de pelagem enquanto mama e ganha peso; a previsão é que a mãe permaneça na praia por cerca de mais uma semana antes de voltar ao mar para se alimentar.
A cria nasceu com pelos pretos, que agora estão ficando prateados e acinzentados. Segundo Sérgio Curi, coordenador dos projetos Pinípedes do Sul e Tartarugas Marinhas, a alteração é uma etapa natural do desenvolvimento dos filhotes da espécie.
A amamentação exige grande investimento de energia da fêmea. A filhote pode ganhar até cinco quilos por dia, enquanto a mãe pode perder de cinco a dez quilos diariamente, pois não sai para buscar alimento e usa suas reservas para nutrir a cria.
Depois de aproximadamente uma semana, a fêmea deverá deixar a praia e retornar ao mar para se alimentar e recuperar energia. A filhote poderá permanecer na areia por mais alguns dias: filhotes de elefante-marinho acumulam gordura suficiente para sobreviver por cerca de dez a 15 dias sem se alimentar após a separação da mãe.
Esse intervalo sem alimentação é comum em colônias reprodutivas, mas o caso do Cassino requer atenção porque o nascimento ocorreu fora de uma dessas colônias. A principal colônia reprodutiva continental da espécie fica na Argentina. Há registros científicos de elefantes-marinhos da população patagônica que se dispersam por diferentes pontos do litoral sul-americano.
As equipes do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema) e do Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram), ligado à Universidade Federal do Rio Grande (Furg), monitoram os animais diariamente, aproximadamente das 6h às 19h. Profissionais do Cram também fazem avaliações veterinárias diárias da mãe e da filhote.
A Secretaria de Município do Cassino constrói barreiras de areia para limitar o acesso à área, especialmente o de veículos. O isolamento reduz o risco de acidentes e de perturbações durante a amamentação e o desenvolvimento da cria.
Elefantes-marinhos, assim como lobos-marinhos e leões-marinhos, pertencem ao grupo dos pinípedes. A presença desses animais no litoral gaúcho não é incomum: eles usam a faixa de areia para descansar durante deslocamentos e períodos de permanência na costa. No período reprodutivo, as fêmeas procuram locais em terra para dar à luz e amamentar; podem começar a se reproduzir entre três e seis anos, em média perto dos quatro anos.
A recomendação para moradores e visitantes é manter distância, não tocar nos animais e respeitar o isolamento. A aproximação de pessoas e o trânsito de veículos podem causar estresse e interferir no comportamento dos elefantes-marinhos, além de colocar em risco a segurança da mãe e da filhote.
Para entender
- Pinípedes
- Grupo de mamíferos marinhos que inclui elefantes-marinhos, focas, lobos-marinhos e leões-marinhos. Eles usam ambientes terrestres, como praias, para descansar e, em determinadas espécies, também para se reproduzir e amamentar.