Meta é condenada a pagar US$ 25 bilhões no Novo México
A multa decorre de mais de 43 milhões de violações apontadas por um júri, que considerou enganosas declarações sobre privacidade e acesso a dados.
Resumo em 30 segundos
A Justiça do Novo México fixou em US$ 25 bilhões a penalidade contra a Meta por práticas enganosas sobre privacidade e acesso a dados do Facebook. Um júri havia apontado mais de 43 milhões de violações da lei estadual. A ação foi movida em 2021, após o caso Cambridge Analytica.
A Justiça do Novo México determinou nesta quarta-feira que a Meta pague US$ 25 bilhões por práticas consideradas enganosas em relação à privacidade e ao acesso a dados de usuários do Facebook. A decisão foi tomada pelo juiz Francis Mathew após um júri concluir que a empresa violou a legislação estadual de proteção ao consumidor em um processo ligado ao caso Cambridge Analytica.
O júri havia concluído, em 25 de setembro, que 26 de 29 declarações da Meta e de seus executivos sobre privacidade, acesso de terceiros aos dados e políticas da plataforma eram enganosas. Também contabilizou mais de 43 milhões de violações, considerando os usuários do Facebook ou moradores do estado expostos a cada declaração. A lei do Novo México prevê penalidade de até US$ 5 mil por infração.
Mathew afirmou que a conduta da empresa se estendeu sistematicamente por vários anos e atingiu aspectos centrais de suas práticas comerciais. Embora tenha considerado que a legislação poderia justificar uma penalidade superior a US$ 219 bilhões, o juiz reduziu o valor fixado para US$ 25 bilhões.
O procurador-geral do estado, Raúl Torrez, processou a Meta em 2021, depois de denúncias de que a consultoria política britânica Cambridge Analytica obteve dados de até 87 milhões de usuários do Facebook por meio de um aplicativo de terceiros, sem consentimento. O estado sustentou que a empresa enganou usuários sobre quem podia acessar seus dados e sobre a forma como lidava com discurso de ódio e desinformação.
A Meta havia pedido que a multa fosse limitada a US$ 3,45 bilhões. A empresa argumentou que uma penalidade maior poderia afastar negócios do estado, afirmou que não vende dados de usuários e contestou que o Novo México tivesse provado que consumidores foram efetivamente enganados. Um porta-voz da companhia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O valor definido pelo juiz ficou abaixo dos US$ 35 bilhões a US$ 40 bilhões solicitados pela advogada do estado, Randi McGinn, em audiência realizada em 1º de outubro. Ela defendeu que a quantia fosse compatível com as conclusões do júri e com as garantias constitucionais de devido processo legal. Segundo Torrez, os valores arrecadados com as penalidades previstas na lei estadual são destinados ao sistema público de ensino do Novo México.
A decisão é a segunda derrota da Meta em processos movidos pelo estado nos últimos seis meses. Em março, um júri concluiu que a empresa enganou usuários sobre a segurança de jovens em Facebook, Instagram e WhatsApp e determinou o pagamento de US$ 375 milhões. Em uma fase posterior daquele caso, um juiz ordenou que a companhia destinasse US$ 567 milhões a um fundo estadual para saúde mental de adolescentes e adotasse medidas de proteção a usuários jovens do Facebook e do Instagram.
Em agosto, a Meta também firmou um acordo com 47 estados americanos, o Distrito de Colúmbia e territórios dos Estados Unidos, comprometendo-se a pagar até US$ 17,1 bilhões e a mudar produtos após acusações sobre riscos a crianças. No mesmo acordo, aceitou pagar US$ 459 milhões para encerrar processos de privacidade relacionados à Cambridge Analytica.
Para entender
- Cambridge Analytica
- Consultoria política britânica que esteve no centro de um escândalo envolvendo dados pessoais de usuários do Facebook. Um aplicativo de terceiros permitiu que informações de milhões de pessoas fossem obtidas sem consentimento, levantando questionamentos sobre privacidade e uso de dados nas redes sociais.