Martin De Luca compara estratégia de Kirchner à de Lula
A ex-presidente argentina está inelegível e em prisão domiciliar, mas avalia disputar a eleição presidencial de 2027 contra Javier Milei.
Resumo em 30 segundos
Martin De Luca, advogado da Trump Media, criticou Cristina Kirchner e Lula em publicações na rede X. A reação veio após uma reportagem informar que a ex-presidente argentina considera concorrer em 2027 e recorreu ao Comitê de Direitos Humanos da ONU. Kirchner cumpre prisão domiciliar e está inelegível por condenação por corrupção.
O advogado americano Martin De Luca, que representa a Trump Media, criticou nesta terça-feira (3) a ex-presidente argentina Cristina Kirchner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação na rede X, De Luca afirmou que Kirchner pretende seguir uma estratégia semelhante à de Lula para tentar voltar ao poder, enquanto está inelegível e cumpre prisão domiciliar em Buenos Aires.
A avaliação do advogado veio após uma reportagem do Washington Post publicada na segunda-feira (2), segundo a qual Kirchner considera disputar a eleição presidencial argentina de 2027 contra Javier Milei. A ex-presidente governou o país de 2007 a 2015 e foi condenada por corrupção. Desde o ano passado, cumpre prisão domiciliar; a condenação também a tornou inelegível.
De Luca escreveu que o aspecto mais revelador da reportagem era a intenção atribuída a Kirchner de seguir a mesma “cartilha” de Lula. O advogado já havia comparado os dois casos em outra publicação, na segunda-feira, ao questionar as decisões judiciais que permitiram ao presidente brasileiro voltar à política.
“As decisões que reabriram o caminho de Lula à presidência não representaram uma absolvição quanto às acusações de corrupção que pesavam contra ele. Foi assim que fizeram no Brasil. O que será que estão planejando para a Argentina no ano que vem?”, escreveu De Luca.
A reportagem do Washington Post apontou que Kirchner e seu advogado, Rafael Valim, solicitaram ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) uma análise do caso. Eles alegam que ela teve o direito ao devido processo legal negado e que seus direitos fundamentais foram violados. Valim atuou como assessor no caso de Lula, segundo o jornal americano.
O percurso jurídico de Lula incluiu a prisão em 2018, a libertação no ano seguinte e a anulação, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2021, das condenações relacionadas à Operação Lava Jato. A anulação das condenações permitiu que ele recuperasse os direitos políticos e voltasse a disputar eleições; não equivaleu a uma absolvição sobre o mérito das acusações.
A discussão sobre uma eventual candidatura de Kirchner ocorre antes da eleição presidencial argentina de 2027. Na segunda-feira, o deputado federal André Janones (Rede-MG) visitou a ex-presidente em Buenos Aires e conversou com peronistas sobre a estratégia para o pleito. Janones liderou o grupo de WhatsApp “Exército do Lula” durante o segundo turno da eleição brasileira.