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Sábado, 31 de outubro de 2026

Marco Rubio encerra reunião do G20 sem consenso e sem foto oficial

As divergências sobre guerras, tarifas e navegação impediram uma declaração conjunta; a presidência americana divulgará um resumo próprio das negociações.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Diplomatas reunidos em torno de uma mesa durante um encontro internacional. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Diplomatas reunidos em torno de uma mesa durante um encontro internacional.
Resumo em 30 segundos

Os ministros das Relações Exteriores do G20 encerraram dois dias de reuniões em Atlanta sem consenso sobre segurança global. Além de não haver comunicado conjunto, a tradicional foto oficial foi cancelada após diplomatas europeus contestarem a presença do chanceler russo Sergey Lavrov. A presidência americana divulgará uma declaração própria.

Os ministros das Relações Exteriores do G20 encerraram neste sábado, 31, dois dias de reuniões em Atlanta, nos Estados Unidos, sem consenso sobre temas de segurança global. O grupo não divulgará um comunicado conjunto: o secretário de Estado americano, Marco Rubio, deve publicar uma declaração em nome da presidência do encontro, com um resumo das negociações.

A falta de acordo foi atribuída principalmente às divergências sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia. Também pesaram as diferenças em torno do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, das tarifas americanas e das ações da China no Mar da China Meridional. Diplomatas disseram que esses impasses ampliam a incerteza sobre o comércio e contribuem para o aumento do custo global do combustível.

A tradicional foto dos ministros também não foi feita. Rubio cancelou a sessão na sexta-feira, 30, depois que diplomatas europeus contestaram a inclusão do ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, e ameaçaram boicotar a imagem ou deixar o local. A foto costuma abrir esse tipo de reunião.

O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski, participou pela primeira vez como convidado e afirmou que a falta de consenso não o surpreendeu. “Temos guerras em curso, e temos participantes nessas guerras à mesa de negociações, por isso é muito difícil chegar a um consenso”, disse a jornalistas.

A presidência já havia previsto divulgar uma declaração própria, em vez de um texto aprovado por todos, diante das divisões entre os participantes. Apesar das dificuldades, diplomatas disseram que os países concordaram em tentar superar as diferenças e trabalhar para que a cúpula de líderes do G20, prevista para o próximo mês na Flórida, seja bem-sucedida. O encontro será organizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A reunião também foi marcada pela discordância sobre a participação russa. Diplomatas descreveram a posição de Moscou em relação à Ucrânia como inflexível e citaram a oposição russa à entrada da Polônia no G20. Houve ainda divergências sobre a decisão do governo Trump de não convidar a África do Sul, que integra o grupo.

A presença de Lavrov ocorreu enquanto a Rússia intensifica os ataques contra a Ucrânia. Trump havia suspendido novas sanções contra Moscou e limitado temporariamente a assistência logística e de inteligência a Kiev, elevando as tensões com o governo ucraniano. Na sexta-feira, porém, o Departamento de Estado americano aprovou uma proposta de venda de interceptadores de defesa aérea Patriot para a Ucrânia, no valor de US$ 2,1 bilhões.

Lavrov disse que Moscou não aceitará uma situação em que a Ucrânia represente uma “ameaça militar aos legítimos interesses de segurança da Federação Russa”. Desde a invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022, e a imposição de sanções a Moscou, o ministro tem viajado apenas ocasionalmente a países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ainda não se sabe se o presidente russo, Vladimir Putin, aceitará o convite para a cúpula de líderes na Flórida.

Os Estados Unidos apontaram a liberdade de navegação como uma das prioridades das conversas, com atenção ao Estreito de Ormuz e aos mares Vermelho, Negro e da China Meridional. O tema envolve as tensões com o Irã, a guerra na Ucrânia e as disputas da China com países vizinhos. A possibilidade de novos ataques americanos contra o Irã também preocupa governos da região, incluindo a Arábia Saudita. Rubio teve reuniões paralelas com o chanceler saudita, Faisal bin Farhan, e com o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, cujo país atua como mediador.

Fontes: Estadão, Zero Hora

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