Marco Rubio diz que G20 não chega a consenso sobre conflitos
Após dois dias de reuniões em Atlanta, ministros encerraram o encontro sem comunicado conjunto; divergências envolveram Ucrânia, Irã e rotas comerciais.
Resumo em 30 segundos
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que os ministros do G20 não estão perto de encontrar soluções aceitas por todos para conflitos internacionais. As conversas em Atlanta terminaram sem comunicado conjunto, em meio a divergências sobre guerras, tarifas, navegação e a participação de países na reunião.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado (31), em Atlanta, que os ministros do G20 não estão perto de alcançar soluções aceitas por todos para conflitos e outros problemas internacionais. As negociações de dois dias terminaram sem comunicado conjunto nem consenso sobre temas como as guerras na Ucrânia e no Irã.
Em uma declaração divulgada ao fim do encontro, Rubio listou prioridades apontadas pelos integrantes do grupo, entre elas segurança energética e alimentar e liberdade de navegação. “Não vou fingir diante de vocês hoje que estamos perto de encontrar soluções universalmente aceitas para esses problemas”, disse em entrevista coletiva.
O secretário afirmou, porém, que alguns países representados no G20 trabalham juntos em questões específicas, especialmente cadeias de abastecimento e minerais críticos. Em publicação na rede X, ele defendeu que as rotas comerciais permaneçam abertas e seguras e citou o Estreito de Ormuz e o de Bab el-Mandeb.
No sábado, Rubio também conversou à parte com os ministros das Relações Exteriores da Austrália, da Índia e do Japão. Depois, conduziu uma sessão sobre liberdade de navegação em Ormuz e nos mares Vermelho, Negro e da China Meridional. Na véspera, havia classificado o primeiro dia de reuniões como “muito produtivo”.
As divergências entre os participantes também ficaram evidentes em torno da guerra da Rússia contra a Ucrânia, do conflito dos Estados Unidos e de Israel com o Irã, das tarifas americanas e das ações da China no Mar da China Meridional. As disputas e a instabilidade nas rotas comerciais contribuíram para a alta dos custos globais de combustível e para incertezas no comércio, segundo relatos de diplomatas presentes às conversas.
A reunião foi marcada ainda por um impasse sobre a participação russa. Rubio cancelou a tradicional foto de grupo depois que diplomatas europeus se opuseram à presença do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, e ameaçaram boicotar a imagem ou deixar o local. O ministro polonês Radosław Sikorski, que participou pela primeira vez como convidado, disse que não esperava um consenso diante de guerras em andamento e da presença, à mesa, de países envolvidos nelas.
Também houve desacordo sobre a ausência da África do Sul, integrante do G20 que não foi convidada pelo governo do presidente Donald Trump. A posição russa sobre a Ucrânia e a oposição de Moscou à entrada da Polônia no grupo foram apontadas por diplomatas como outros obstáculos às negociações.
Os participantes devem voltar a se reunir na cúpula do G20 do próximo mês, organizada por Trump na Flórida. Diplomatas disseram que os países pretendem trabalhar para que o encontro tenha êxito, embora as divergências continuem. O G20 reúne as principais economias do mundo e funciona como fórum de discussão e coordenação sobre temas econômicos e internacionais.
Em uma declaração conjunta após conversa com representantes da Ásia-Pacífico, Rubio e os ministros mencionaram seis vezes a expressão “Super Inteligência” como motor de crescimento. Uma nota explicou que Austrália, Índia e Japão usam o termo para se referir à inteligência artificial; o governo Trump adotou a denominação “Super Inteligência” após o presidente dizer, na Assembleia Geral da ONU em setembro, que o nome usual soava falso.