Lula negocia ministérios com partidos de centro por votos no Congresso
A reeleição não significa apoio fechado do centrão no segundo turno: as conversas previstas para a próxima semana tratam da participação no governo.
Resumo em 30 segundos
Lula deve iniciar na próxima semana conversas com partidos de centro para definir a composição ministerial a partir de janeiro. O governo pretende concluir as negociações até 20 de dezembro e vincular espaço na Esplanada e indicações a cargos à expectativa de apoio às pautas governistas no Congresso. Os nomes citados ainda são possibilidades, não nomeações confirmadas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve iniciar na próxima semana conversas com partidos de centro para definir sua equipe ministerial a partir de janeiro, após a reeleição. A intenção do governo é concluir a composição da Esplanada dos Ministérios até 20 de dezembro, mas Lula ainda não abriu formalmente as negociações, segundo aliados.
A distribuição de ministérios e cargos deverá considerar o apoio de cada partido às pautas do governo no Congresso Nacional. A estratégia representa uma mudança em relação à montagem do atual mandato, quando, segundo relatos, o tamanho das bancadas teve peso maior. A ideia é dar espaço a legendas conforme a quantidade de votos que possam assegurar e permitir indicações a cargos do Executivo apenas a parlamentares considerados leais.
O governo busca evitar derrotas legislativas provocadas por partidos que ocupavam ministérios, mas não acompanhavam as orientações do Planalto em votações. O presidente do PT, Edinho Silva, foi escolhido para conduzir as primeiras conversas com as siglas. A negociação, portanto, não significa que o centrão já tenha declarado apoio a Lula ou que exista um compromisso fechado para o segundo turno: o que está em discussão é a participação de partidos de centro no próximo governo, em troca de apoio no Congresso.
O MDB é citado como uma das legendas que podem participar das tratativas. A sigla teria sinalizado a possibilidade de entregar 30 votos ao governo, e o ex-governador do Pará Helder Barbalho está entre os nomes cogitados para ocupar um ministério. A composição dependerá das conversas e da expectativa de apoio parlamentar atribuída a cada partido.
Lula também precisa decidir o destino de aliados que concorreram a cargos eletivos e foram derrotados, após atenderem a pedidos ou cumprirem tarefas políticas. Entre eles estão Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad e Paulo Pimenta. Gleisi deixou de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados para concorrer ao Senado pelo Paraná, mesmo tendo avisado ao presidente que enfrentaria dificuldades em um estado com forte presença bolsonarista. Lula queria que ela ajudasse a formar um palanque na região Sul.
Gleisi é cotada para o Ministério do Desenvolvimento Social, para uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU) ou para a direção-geral da Itaipu Binacional. A possibilidade de ir ao TCU depende, entre outros fatores, de uma eventual indicação do ministro Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal (STF). Essas alternativas ainda são especulações sobre a composição futura, não nomeações confirmadas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, deverá assumir um ministério em janeiro. A Defesa e a Fazenda são apontadas como possibilidades. Aliados afirmam que ele poderá receber mais atribuições políticas do que no mandato atual, incluindo representar a Presidência em viagens e participar de conversas com empresários e articulações partidárias.
Também estão entre os nomes cogitados o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, para a Fazenda, e o senador Camilo Santana, do PT do Ceará, para a Casa Civil. Fonteles teria dito a aliados que aceitaria deixar o governo estadual para ocupar uma pasta. Camilo foi ministro da Educação no atual mandato e ganhou influência junto a Lula após a vitória de seu grupo político no Ceará.
Haddad, que perdeu a disputa pelo governo de São Paulo, passou a ser mencionado para as Relações Exteriores ou para a Educação. Ele ainda poderia assumir a Casa Civil se Camilo fosse destinado a uma eventual pasta da Segurança Pública, cuja criação depende da aprovação de uma proposta de emenda à Constituição pelo Congresso. Fonteles, Camilo e Haddad também são apontados como possíveis sucessores políticos de Lula no PT.
O presidente deverá fazer mudanças em sua própria equipe e pretende criar uma estrutura ligada diretamente a ele para cuidar de sua comunicação pessoal nas redes sociais. A proposta é que esses perfis não fiquem subordinados à Secretaria de Comunicação da Presidência.
Para entender
- Centrão
- Termo usado na política brasileira para se referir a partidos e grupos parlamentares de centro e centro-direita que não formam necessariamente um bloco ideológico unificado. Sua composição e suas alianças podem variar conforme a pauta e o momento político.