Lula e Flávio Bolsonaro disputam último debate antes do segundo turno
O encontro na TV Globo ocorre nesta sexta-feira, antes da votação de domingo; as campanhas prepararam estratégias para reduzir confrontos e destacar propostas.
Resumo em 30 segundos
Lula e Flávio Bolsonaro participam nesta sexta-feira do último debate presidencial antes do segundo turno, marcado para domingo. A equipe do presidente trabalhou para evitar que ele entre em provocações, enquanto a campanha de Flávio preparou anotações sobre comunicação com mulheres, imagem de estadista e propostas para diferentes regiões. Segurança, economia e custo de vida estão entre os temas priorizados.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participam nesta sexta-feira do último debate presidencial, transmitido pela TV Globo, antes do segundo turno, marcado para domingo. A equipe de Lula preparou o presidente para evitar uma troca de acusações, enquanto a campanha de Flávio trabalhou para que ele apresentasse uma postura mais equilibrada e propostas ao eleitorado.
A avaliação dos aliados de Lula é que Flávio pode adotar um tom mais polido do que no debate da Band, realizado no domingo anterior, mas ainda buscar contrastar sua idade e representar uma nova geração. A orientação ao presidente foi não se deixar conduzir por provocações e manter o foco nos eleitores, em vez de reagir à trajetória ou às declarações do adversário.
No encontro da Band, Lula passou boa parte do primeiro bloco em confronto direto com Flávio. A equipe atribuiu o desempenho à dificuldade do presidente em aceitar a disputa com um candidato cuja trajetória considera muito diferente daquela de antigos adversários, como Mario Covas, Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin. Os preparadores avaliaram que o problema não foi a idade de Lula nem sua adaptação à dinâmica do debate.
A preparação para a Globo teve os temas e as formas de abordagem definidos antes dos ensaios. Os acertos foram concluídos na quarta-feira, e Lula trabalhou as estratégias ao longo da quinta-feira e da manhã desta sexta. Depois, descansou até o fim da tarde, quando embarcou para o Rio de Janeiro.
Participaram dos preparativos o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, que simulou o papel de Flávio; o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante; o senador Camilo Santana (PT-CE); o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT); e as consultoras Olga Curado e Sandra Brandão. O ministro Guilherme Boulos e o senador Rui Costa (PT-BA) tiveram participação mais lateral. Curado prepara Lula para debates desde a campanha de 2006.
Flávio também viajou de Brasília ao Rio nesta sexta-feira, levando anotações feitas durante um treinamento com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o marqueteiro Duda Lima e outros integrantes da campanha. Entre os lembretes escritos à mão estavam “falar pra elas” e a orientação para transmitir uma imagem de estadista. O roteiro também separava temas por regiões, incluindo Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.
As notas indicam atenção à comunicação com mulheres e à apresentação de propostas voltadas a diferentes regiões. A equipe de Flávio vinha defendendo que ele reduzisse provocações, respondesse diretamente às perguntas e reservasse mais espaço para propostas de governo. Segurança pública, economia e custo de vida estavam entre os temas priorizados.
O debate é uma das últimas oportunidades para os candidatos alcançarem eleitores indecisos antes da votação. A preparação de Lula também incorporou a mobilização nas redes sociais, que, segundo aliados, tem deixado o presidente mais animado. Entre as iniciativas está o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).