Lula comenta crise do STF e Flávio pede voto de revolta
Às vésperas do primeiro turno, Lula comentou a crise no STF e Flávio Bolsonaro usou o debate cancelado para pedir voto de revolta.
Resumo em 30 segundos
Lula disse ter pedido imparcialidade a ministros do STF indicados por Jair Bolsonaro e defendeu mudanças na escolha dos integrantes da Corte. Flávio Bolsonaro usou decisões judiciais que levaram ao cancelamento do debate da TV Globo para criticar o Judiciário e pedir votos já no primeiro turno. Ministros e pessoas citadas negam irregularidades.
Às vésperas do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionou a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) a ministros indicados por Jair Bolsonaro, enquanto o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, intensificou críticas ao Judiciário após o cancelamento do debate da TV Globo. Lula falou sobre o tema em entrevista ao podcast Flow, na noite de quinta-feira, e Flávio pediu votos de “revolta” em uma transmissão realizada no horário previsto para o encontro.
Lula afirmou que conversou no Palácio do Planalto com Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados ao STF por Bolsonaro, e que pediu aos ministros imparcialidade nas apurações. “Eu não quero que vocês pendam para nenhum lado. Eu quero que vocês sejam justos”, disse o presidente, ao relatar a conversa. Ele acrescentou que, se os magistrados agirem incorretamente, também terão de responder por seus atos.
A entrevista abordou as investigações relacionadas ao Banco Master e suspeitas envolvendo integrantes do Supremo. Lula defendeu que as apurações não se restrinjam a um ministro e afirmou que a sociedade deve saber se são verdadeiras as histórias citadas em torno de Dias Toffoli e Nunes Marques. Os dois ministros e o advogado Kevin Marques negam irregularidades.
Ao mencionar alguém que teria recebido dinheiro para “montar um instituto”, Lula se referia a André Mendonça. O ministro Flávio Dino pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que seja investigada uma possível relação entre o Banco Master e o instituto do qual Mendonça foi sócio. Mendonça nega qualquer ligação com o banco.
Toffoli deixou a relatoria do caso Banco Master depois da divulgação de que é sócio de uma empresa que vendeu participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, a um fundo ligado ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Nunes Marques foi citado indiretamente em mensagens de Vorcaro e interlocutores, com referência à expressão “turma do KN”. Mensagens também mencionaram pagamentos feitos ao filho do ministro, o advogado Kevin Marques, por uma consultoria contratada pelo banco.
Lula voltou a defender mudanças na escolha de ministros do STF. Propôs a criação de um conselho da sociedade civil para indicar integrantes da Corte e a adoção de mandatos para os ministros. “É melhor criar um conselho da sociedade civil para indicar uma pessoa”, afirmou. O presidente disse que a proposta poderia contribuir para um Supremo “menos político”.
Flávio, por sua vez, passou a usar as decisões judiciais que alteraram as condições do debate da TV Globo como argumento eleitoral. A campanha havia planejado comparecer mesmo sem Lula, que não participaria, e pretendia destacar a ausência do presidente com perguntas dirigidas a ele e a imagem de um púlpito vazio.
Horas antes do programa, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a emissora de exibir o púlpito destinado a Lula e de permitir perguntas direcionadas ao presidente. Em outra decisão, o ministro do STF Gilmar Mendes determinou a participação do candidato Renan Santos, do Missão. Romeu Zema, do Novo, também havia recorrido à Justiça para garantir presença.
Flávio anunciou que não iria ao encontro. Diante das mudanças nas regras, a Globo cancelou o debate. Em uma transmissão feita no horário em que o programa ocorreria, o candidato chamou de “censura” a decisão sobre o púlpito e pediu: “Me dê seu voto de revolta. Me dê seu voto inteligente já no primeiro turno”. A equipe montou um púlpito vazio com o nome de Lula para a transmissão.
Na sexta-feira, Flávio voltou a criticar o Judiciário e pediu que eleitores votem nele já no primeiro turno. Disse que um segundo turno abriria mais três semanas de embates com a Justiça e chamou esse período de potencialmente “os 21 dias mais sangrentos e sujos da história de todas as eleições no Brasil”. Também acusou, sem apresentar provas, o PT de usar aliados no STF e no TSE e a Polícia Federal para atingir adversários.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político da campanha, também criticou as decisões e escreveu nas redes sociais que “o sistema está com medo”. A campanha de Flávio pretende manter o tema nos atos finais em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo a matéria de origem, a estratégia busca mobilizar eleitores com críticas ao Judiciário, além de abordar questões como custo de vida e segurança pública.
Quem é quem
- Supremo Tribunal Federal (STF)
- Corte máxima do Poder Judiciário brasileiro. Entre suas atribuições estão julgar ações previstas na Constituição e decidir questões constitucionais. Seus ministros são indicados pelo presidente da República e passam por aprovação do Senado.
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. Organiza e supervisiona eleições no país, além de julgar questões eleitorais conforme as competências previstas na legislação.