Líderes da ultradireita europeia se afastam de Trump após derrota
Eles apontam a guerra no Irã e o custo de vida como fatores do revés republicano nas eleições legislativas dos Estados Unidos.
Resumo em 30 segundos
Lideranças de partidos de ultradireita da Europa, entre elas Jordan Bardella, criticaram a política externa de Donald Trump após a derrota republicana nas eleições legislativas dos Estados Unidos. Para esses políticos, a guerra no Irã e a alta do custo de vida pesaram no resultado. A reação, porém, não foi unânime.
Lideranças de partidos de ultradireita da Europa passaram a se distanciar de Donald Trump após a derrota republicana nas eleições legislativas dos Estados Unidos, atribuindo o resultado à guerra contra o Irã e à alta do custo de vida. Entre elas está Jordan Bardella, presidente do Reunião Nacional, da França, que afirmou que a política externa do segundo mandato de Trump tem sido mais intervencionista do que a do primeiro.
“A intervenção americana em relação ao Irã tem consequências muito graves” para as economias de todo o mundo, disse Bardella. Ele criticou os efeitos da ação militar sem citar diretamente Trump como responsável. O líder francês é apontado como possível chefe de governo em seu país, segundo pesquisas mencionadas no debate político europeu.
A mudança de tom ocorre entre políticos que, nos últimos anos, destacaram afinidades com o presidente americano e com o movimento Maga, sigla de “Make America Great Again” (“Tornar a América Grande Novamente”). A guerra no Irã e seus efeitos sobre os preços de energia e o custo de vida passaram a ser tratados por essas lideranças como fatores que pesaram contra os republicanos nas urnas.
Na Alemanha, Alice Weidel, copresidente da Alternativa para a Alemanha (AfD), afirmou que Trump havia prometido aos eleitores não adotar uma política externa intervencionista. “Essa promessa não cumprida agora se voltou contra os republicanos”, disse ela ao T-Online. O próprio Trump reconheceu que a guerra influenciou as derrotas de seu partido, mas defendeu a ação militar, alegando que ela impediria Teerã de obter uma arma nuclear.
Na Itália, Matteo Salvini, líder da Liga e integrante da coalizão governista, relacionou o resultado eleitoral às guerras, às tensões internacionais e ao aumento do custo de vida. Ele disse esperar que a votação ajude a acelerar o fim dos conflitos. Roberto Vannacci, que lidera o partido Futuro Nacional, também criticou Trump por não ter encerrado a guerra entre Rússia e Ucrânia e por ter iniciado o conflito com o Irã.
Vannacci afirmou que a alta dos preços de energia e a instabilidade econômica prejudicaram a classe média americana. Na mesma linha, Nigel Farage, líder do Reform UK, chamou a eleição de “derrota completa e absoluta” para os republicanos. Ele disse que a guerra prolongada no Irã e o custo dos combustíveis contribuíram para o resultado e apontou a possibilidade de um rompimento entre Trump e o vice-presidente J.D. Vance.
Outros líderes também procuraram marcar distância. Na Espanha, Santiago Abascal, do Vox, disse a jornalistas que estava “na Espanha, e não em Michigan”, e afirmou que se importava pouco com o que acontecia em outros lugares. No Reino Unido, Rupert Lowe, do Restore Britain, classificou o ataque ao Irã como um “erro catastrófico”, mas não mencionou Trump em sua publicação sobre a eleição.
O analista Mujtaba Rahman, diretor-gerente da consultoria Eurasia Group, avalia que a perda de popularidade de Trump, em especial diante do custo de vida, pode transformar sua influência em um problema eleitoral para aliados europeus. Segundo ele, esses políticos tentam preservar a aproximação ideológica com o trumpismo sem serem associados à instabilidade econômica e política da Presidência americana. Rahman também apontou o risco de Trump e seus aliados retirarem apoio dos europeus que se afastarem dele.
A reação, porém, não foi uniforme. Dan Dungaciu, vice-presidente da Aliança para a União dos Romenos, partido de direita radical da oposição, disse que as previsões sobre a “morte política” de Trump eram “muito exageradas”. Ele argumentou que o presidente continua no cargo, mas terá de lidar com maior fiscalização e equilíbrio entre o Executivo e o Congresso.
As declarações refletem uma tentativa de responder ao impacto eleitoral da guerra e dos preços sem romper completamente com um aliado ideológico. O debate também expõe o custo político de apoiar uma política externa intervencionista quando eleitores esperam que o governo se concentre em questões internas, como o poder de compra e as despesas com energia.
Para entender
- MAGA
- Sigla de “Make America Great Again”, lema político associado a Donald Trump e ao movimento que o apoia. A expressão significa “Tornar a América Grande Novamente” e também é usada para identificar uma corrente política ligada ao nacionalismo e ao conservadorismo nos Estados Unidos.