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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Derrota nas midterms divide republicanos e pressiona Trump

Após perder o Congresso, o partido enfrenta cobranças por mudanças, enquanto Vance atribui o resultado à guerra contra o Irã e Trump diz que repetiria a ofensiva.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: O Capitólio dos Estados Unidos ao anoitecer, com assessores conversando nos degraus. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: O Capitólio dos Estados Unidos ao anoitecer, com assessores conversando nos degraus.
Resumo em 30 segundos

A vitória democrata nas eleições de meio de mandato abriu uma disputa entre republicanos sobre a liderança de Trump e o rumo do partido. J.D. Vance apontou a guerra contra o Irã como fator decisivo para a derrota. O conflito e as tarifas também elevaram custos e pesaram sobre eleitores.

A derrota republicana nas eleições de meio de mandato de terça-feira (3) abriu uma disputa interna sobre o rumo do partido e a condução do presidente Donald Trump. Os democratas conquistaram o controle do Congresso dos Estados Unidos e venceram em governos da maioria dos estados, enquanto integrantes republicanos passaram a cobrar mudanças na Casa Branca, sobretudo diante do desgaste causado pela guerra contra o Irã.

O vice-presidente J.D. Vance apontou o conflito como principal motivo do resultado. Em publicação no X na quarta-feira (4), ele questionou se a perda do Senado pelos próximos seis anos seria um preço aceitável para impedir que o governo iraniano obtenha armas nucleares, argumento usado por Trump para justificar a ofensiva. O presidente reconheceu que a guerra pesou na derrota, mas disse que repetiria a decisão.

A ofensiva, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro, elevou os preços da energia e ampliou a preocupação com o custo de vida. A interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo antes do conflito, pressionou os mercados de energia e gás. Na véspera da eleição, a gasolina comum chegou a US$ 4,17 por galão nos Estados Unidos, e o diesel superou US$ 6, segundo dados da Associação Americana de Automóveis.

A campanha republicana também enfrentou o efeito das tarifas comerciais, que encareceram insumos agrícolas, como fertilizantes e máquinas. A economia era uma preocupação central para eleitores dos dois partidos, e o impacto das decisões de Trump foi apontado como fator de perda de apoio em áreas rurais, incluindo estados como Kansas, Mississippi e Texas.

A derrota provocou críticas à estratégia do presidente dentro do próprio Partido Republicano, também chamado de GOP. O estrategista John Feehery classificou o resultado como um “desastre enorme” para Trump e afirmou que ele precisa renovar sua equipe. Uma autoridade do governo disse que o moral na Casa Branca está no nível mais baixo possível. Segundo essa fonte, pesquisas internas realizadas um mês e meio antes da votação já indicavam risco de perda das maiorias republicanas na Câmara e no Senado.

A mesma autoridade afirmou que Trump ignorou os alertas e não alterou sua postura sobre o Irã, recusando negociações e ameaçando retomar bombardeios em grande escala. A estrategista Ashley Davis avaliou que a manifestação de Vance serviu para medir a reação a um possível posicionamento próprio. O vice-presidente é apontado como possível candidato republicano à Presidência em 2028.

O ex-senador republicano Mitt Romney também pediu uma mudança de rumo. Em publicação no X, criticou políticas do governo, incluindo tarifas, a guerra, os déficits e a condução da política migratória. A derrota nas midterms — eleições realizadas no meio do mandato presidencial — tende a reduzir a margem de ação do partido que perde o controle do Congresso, que vota leis e fiscaliza o governo.

Fontes: Gazeta do Povo, O Globo

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