Legista relaciona morte de Richard Norton a peptídeo injetável
O relatório atribui a anafilaxia após aplicação de CJC-1295/ipamorelina à parada cardíaca e recomenda avaliar regras mais rígidas para peptídeos não regularizados.
Resumo em 30 segundos
O legista australiano David Ryan concluiu que uma injeção de CJC-1295/ipamorelina provocou a anafilaxia que levou à parada cardíaca de Richard Norton. Asma e cardiomiopatia também contribuíram para a morte. Ryan criticou a conduta do médico que prescreveu o tratamento e recomendou avaliar regras mais rígidas para peptídeos não regularizados.
O ator e lutador australiano Richard Norton morreu em 30 de março de 2025, em Melbourne, após sofrer uma reação alérgica grave ligada a uma injeção de CJC-1295/ipamorelina, concluiu o legista David Ryan. Em relatório divulgado em 28 de outubro, Ryan recomendou que o órgão regulador de medicamentos da Austrália avalie regras mais rigorosas para peptídeos não regularizados no país.
Norton tinha 75 anos e estava se recuperando de uma cirurgia no ombro. O laudo aponta que a anafilaxia — reação alérgica grave — provocada pela injeção levou a uma parada cardíaca. Asma e cardiomiopatia hipertrófica, doença que afeta o músculo cardíaco, também contribuíram para a morte, segundo o legista.
O ator procurou o médico Jerzy Muchnicki em 11 de março do ano anterior à morte, com queixas de fadiga, dores e perda de massa muscular. Ele também demonstrou interesse em tratamento com peptídeos. O médico informou que a terapia era experimental e explicou os riscos; Norton assinou um termo de consentimento que incluía a possibilidade de anafilaxia.
Cinco dias antes de morrer, Norton disse ao médico que se sentia bem e que os sintomas estavam melhorando. Em 28 de março, porém, contou a uma enfermeira que aplicava o dobro da dose prescrita e pediu outro frasco, alegando que um anterior havia caído e quebrado. A enfermeira o orientou a voltar à dose indicada na semana seguinte.
Naquela noite, depois de outra aplicação, Norton sentiu ondas de calor e desmaiou. Sua mulher, Judy Green, iniciou manobras de reanimação cardiopulmonar, e paramédicos o levaram ao Alfred Hospital.
Ryan criticou Muchnicki por autorizar a substituição do frasco sem conferir o registro da enfermeira, que relatava o uso incorreto da medicação. O legista também apontou que o médico não conversou diretamente com Norton para confirmar como ele aplicava o produto nem para verificar possíveis efeitos adversos. Segundo o relatório, Muchnicki assumiu a responsabilidade, pediu desculpas por erros de avaliação e afirmou que não prescreverá mais peptídeos.
Peptídeos são moléculas formadas por cadeias de aminoácidos, componentes das proteínas. Produtos desse tipo são divulgados por influenciadores com promessas de benefícios como recuperação mais rápida, melhora da aparência da pele, sono e longevidade. A conclusão do legista relaciona a morte de Norton à aplicação de CJC-1295/ipamorelina, mas não estabelece uma dose segura nem recomenda o uso desse tratamento.