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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Kia negocia dívida da Asia Motors e não confirma fábrica no Brasil

A disputa supera R$ 6 bilhões e pode voltar à pauta em 3 de dezembro, caso governo e montadora não cheguem a um acordo.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fachada de uma fábrica automotiva moderna com veículos sem identificação ao lado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fachada de uma fábrica automotiva moderna com veículos sem identificação ao lado.
Resumo em 30 segundos

A Kia negocia com o governo federal uma solução para a dívida tributária da antiga Asia Motors, estimada em mais de R$ 6 bilhões. O julgamento foi retirado de pauta em 14 de outubro, e as partes têm 30 dias para buscar um acordo. A montadora não confirmou fábrica, investimento ou local de produção no Brasil.

A Kia negocia com o governo federal uma solução para uma dívida tributária superior a R$ 6 bilhões ligada à antiga Asia Motors, enquanto a possibilidade de instalar uma fábrica no Brasil volta a ser discutida. Em 14 de outubro, o julgamento do caso foi retirado de pauta, e as partes receberam 30 dias para buscar um acordo; sem entendimento, o processo deve voltar à pauta em 3 de dezembro de 2026.

A negociação não significa que a montadora tenha confirmado uma fábrica, nem que o governo tenha aceitado perdoar a dívida. Ainda não foram divulgados os termos de uma eventual composição, como valor, condições de pagamento ou compromissos industriais. Também não há anúncio oficial sobre investimento, local, modelos ou data de início da produção.

A cobrança tem origem nos anos 1990, quando a Asia Motors do Brasil recebeu incentivos fiscais para importar veículos. Como contrapartida, comprometeu-se a construir uma unidade na Bahia e produzir modelos como a van Topic e o utilitário Towner. A fábrica não saiu do papel, e o governo passou a cobrar os tributos associados aos benefícios, acrescidos de multas e juros.

A crise financeira asiática de 1997 afetou a fabricante, que mais tarde passou ao controle do Grupo Hyundai. Após a dissolução da Asia Motors do Brasil, a Fazenda pediu que a cobrança fosse direcionada à Kia, na condição de sucessora. A responsabilidade da montadora, porém, continua em discussão judicial.

A execução fiscal foi aberta em 2007, e a Kia entrou no processo em 2010. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região chegou a retirar a empresa da cobrança. Em 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou essa decisão por uma questão processual e devolveu o caso à primeira instância, sem decidir se a Kia deve pagar. O valor superior a R$ 6 bilhões corresponde à estimativa atualizada citada pelo STJ naquele julgamento.

A etapa atual pode abrir espaço para uma saída negociada, mas o prazo de 30 dias não obriga o governo a aceitar uma proposta nem autoriza o início de obras. Se não houver acordo, o retorno do processo à pauta em dezembro retomará a discussão judicial, sem significar necessariamente uma decisão definitiva.

Em setembro, o vice-presidente global da Kia, Eui Chul Jeong, reuniu-se com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O ministério confirmou o encontro, mas não detalhou os assuntos tratados. Piracicaba, no interior de São Paulo, é apontada como uma possibilidade para a fábrica; a cidade já tem uma unidade da Hyundai, do mesmo grupo que controla a Kia. A escolha, contudo, não foi confirmada.

Também circulam hipóteses de instalação até 2028 e de geração de 5 mil empregos diretos e 15 mil indiretos, mas a Kia não confirmou o cronograma nem esses números. Não há definição pública sobre quais veículos seriam produzidos ou se a unidade teria foco em modelos híbridos, elétricos ou a combustão. Essas decisões dependeriam do investimento, da capacidade produtiva, da demanda e da estratégia da matriz.

A Kia ainda não fabrica veículos no Brasil. Há mais de três décadas, a operação comercial da marca no país é conduzida pelo Grupo Gandini, responsável pela importação e distribuição. Uma eventual operação industrial própria poderia alterar essa estrutura, mas não há confirmação de mudança na representação, na rede de concessionárias ou nos contratos existentes.

O empresário José Luiz Gandini afirmou, em julho, que representantes da matriz sul-coreana vieram ao Brasil para tratar da pendência. Na ocasião, disse que seguia à frente da distribuição e que não havia decisão definitiva sobre a fábrica. A negociação tributária é um dos obstáculos para o avanço do projeto, mas a montadora não informou se manteria os planos caso não haja acordo com o governo.

Para entender

Execução fiscal
É o processo judicial usado pelo poder público para cobrar dívidas, como tributos não pagos. Na disputa envolvendo a antiga Asia Motors, a cobrança foi aberta em 2007 e a responsabilidade da Kia como sucessora ainda está em discussão.

Fontes: Estadão

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