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Sábado, 31 de outubro de 2026

Karl Bushby se aproxima de casa após volta ao mundo a pé

Após nadar pelo Canal da Mancha e voltar ao Reino Unido, o britânico planeja chegar à casa da mãe, em Hull, na próxima semana; ainda faltam centenas de quilômetros.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Caminhante empurra um carrinho carregado por uma estrada rural inglesa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Caminhante empurra um carrinho carregado por uma estrada rural inglesa.
Resumo em 30 segundos

Karl Bushby está perto de concluir uma caminhada iniciada em novembro de 1998, quando saiu de Punta Arenas, no Chile, rumo à casa da mãe, em Hull, na Inglaterra. Aos 57 anos, ele atravessou quatro continentes e o Canal da Mancha a nado. A chegada está prevista para algum momento da próxima semana.

O britânico Karl Bushby, de 57 anos, está perto de completar uma volta ao mundo a pé iniciada em novembro de 1998. Depois de atravessar o Canal da Mancha a nado neste mês e retornar ao Reino Unido, ele planeja chegar à casa da mãe, em Hull, na Inglaterra, em algum momento da próxima semana. Ainda restam algumas centenas de quilômetros até o destino final.

Bushby partiu de Punta Arenas, no sul do Chile, aos 29 anos, com o objetivo de caminhar até sua casa no Reino Unido sem usar meios de transporte para avançar pela rota. O trajeto traçado por ele atravessava a América do Sul, a América Central e a América do Norte, seguia pela Rússia e pela Ásia e terminava na Inglaterra. A viagem já dura quase 28 anos, embora o planejamento tenha começado em meados da década de 1990.

A ideia surgiu de uma sugestão do pai de Bushby, escrita em um cartão de aniversário: cruzar a pé o Estreito de Bering durante o inverno, quando o mar entre o Alasca e a Rússia fica coberto de gelo. A passagem permitiria ligar a rota entre os continentes. Bushby definiu duas regras para a jornada: não usar veículos para se deslocar e não voltar ao Reino Unido antes de concluir o percurso.

Em março de 2006, ele e o aventureiro franco-americano Dimitri Kieffer atravessaram o estreito sobre o gelo. A superfície se movia e se fragmentava, e os dois precisavam escolher blocos maiores para montar acampamento. Em uma noite, abandonaram a barraca às pressas quando o gelo começou a se romper sob eles. Depois de chegar à Rússia, foram detidos por autoridades locais, que, segundo Bushby, não acreditaram que tivessem cruzado a passagem a pé. Eles permaneceram sob custódia por quase dois meses.

A caminhada também incluiu a travessia da selva de Darién, na América Central, e da tundra siberiana. Ao longo do caminho, Bushby foi preso, deportado, ficou sem dinheiro e se perdeu. Ele começou a jornada com US$ 500 e um carrinho de golfe adaptado, apelidado de “A Fera”, usado para levar barraca, roupas, comida, água e outros itens. Sua meta diária era percorrer cerca de 29 quilômetros antes de parar para dormir.

O carrinho foi inicialmente puxado por Bushby, mas, em 2003, no Canadá, ele descobriu que empurrá-lo exigia menos esforço. Nos primeiros meses, o clima e a falta de apoio dificultaram a viagem, e ele dependia principalmente de alimentos comprados em postos de gasolina. Com o tempo, pessoas que o reconheciam nas estradas passaram a oferecer comida e dinheiro. Também obteve patrocínios nos Estados Unidos, entre eles os de uma empresa de hospedagem de sites e de uma marca de palmilhas.

As pausas para recuperação física ou para escapar da rotina prolongaram a viagem. Bushby descreveu a experiência como uma aventura que, com os anos, se tornou exaustiva e marcada pelo isolamento. Ao entrar nos Estados Unidos, em 2002, também passou a ser abordado com frequência por policiais, que o impediam de caminhar em rodovias ou o retiravam de espaços públicos. Ele disse que algumas pessoas o confundiam com alguém em situação de rua ou o viam como uma possível ameaça.

A decisão de não retornar ao Reino Unido antes de terminar a caminhada afastou Bushby da família por longos períodos. Seu filho, Adam, tinha oito anos quando a viagem começou e hoje tem 36. Ele contou que só passou a compreender melhor a escolha do pai depois de reencontrá-lo no Alasca, em 2004, aos 14 anos. A partir daquele momento, disse, decidiu respeitar a decisão e apoiá-lo, apesar da distância.

Depois de nadar pelo Canal da Mancha, Bushby disse que sentiu uma sensação de perda ao acordar na manhã seguinte. Ele afirmou que nunca havia pensado de fato em como seria o fim da jornada e que a perspectiva de encerrá-la era perturbadora, pois a caminhada se tornou seu propósito de vida. Ainda não decidiu o que fará depois, mas considera trabalhar como educador na área de ciências.

Durante os últimos trechos, Bushby tem feito palestras para jovens. Ele pretende falar sobre a ajuda recebida de desconhecidos, que lhe ofereceram abrigo, alimentos, dinheiro ou apoio em diferentes países. Para o britânico, a generosidade encontrada ao longo do caminho mostrou que o mundo pode ser mais acolhedor do que muitos imaginam.

Fontes: O Globo

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