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Terça-feira, 6 de outubro de 2026

FMI alerta que fundos de hedge podem ampliar turbulência no mercado

Com exposição superior a US$ 40 trilhões, os fundos podem ser forçados a vender ativos diante de resgates concentrados, espalhando perdas pelo sistema financeiro.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Escritório financeiro envidraçado em um distrito comercial ao anoitecer. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Escritório financeiro envidraçado em um distrito comercial ao anoitecer.
Resumo em 30 segundos

O FMI alertou que a alavancagem e o crescimento dos fundos de hedge podem aumentar os riscos para o mercado financeiro. A exposição do setor, incluindo derivativos fora dos balanços, superou US$ 40 trilhões no início de 2026. O organismo recomenda mais transparência, testes de estresse e medidas para limitar a transmissão de problemas a outros agentes.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta terça-feira para o risco de que uma onda de resgates em fundos de hedge provoque vendas de ativos em cadeia e afete o mercado financeiro. Esses fundos, que administram cerca de US$ 13 trilhões no mundo, ampliaram seu uso de alavancagem e passaram a ter exposição total superior a US$ 40 trilhões, segundo capítulo do Relatório de Estabilidade Financeira Global divulgado pelo organismo.

Os fundos de hedge são veículos de investimento coletivo administrados por profissionais. Eles podem recorrer a empréstimos e a derivativos — contratos cujo valor depende de ativos ou indicadores financeiros — para ampliar suas posições. O relatório calcula que, desde 2013, a diferença entre os ativos brutos e líquidos desses fundos, uma medida de endividamento, cresceu quase US$ 6 trilhões.

A exposição do setor, incluindo posições em derivativos que não aparecem nos balanços, aumentou de US$ 13 trilhões em 2013 para mais de US$ 40 trilhões no início de 2026. O patrimônio total dos fundos também mais do que triplicou em pouco mais de uma década, de acordo com o FMI.

A expansão pode beneficiar os mercados ao contribuir para a liquidez e a formação de preços. Mas a alavancagem elevada também amplia o risco de perdas e pode forçar os gestores a vender ativos caso enfrentem resgates expressivos em pouco tempo. Se vários fundos fizerem isso simultaneamente, a pressão sobre os preços pode levar a novas vendas e disseminar o impacto pelo sistema financeiro.

O relatório estima que um choque de um desvio-padrão nos retornos dos fundos — equivalente a cerca de dois pontos percentuais — poderia elevar ou reduzir em 1,4 ponto percentual os retornos dos chamados prime brokers. Essas instituições, também conhecidas como dealers no estudo, prestam serviços a fundos, incluindo financiamento e operações com ativos.

Para reduzir os riscos, o FMI recomenda ampliar a transparência e mapear com mais rigor as conexões entre fundos e demais participantes do sistema financeiro. O organismo afirma que o monitoramento é dificultado pelo uso de derivativos, pela alavancagem e pelas operações realizadas entre países.

Entre as medidas propostas estão testes de estresse, análise de cenários e uma gestão mais eficiente das garantias oferecidas em operações financeiras, chamadas de colaterais. O FMI também sugere exigências adicionais de capital e limites para exposições concentradas. Essas medidas, voltadas às atividades dos gestores e às instituições, buscam conter a transmissão de problemas dos fundos para outros agentes, inclusive grandes bancos.

Para entender

Alavancagem
Uso de empréstimos ou de instrumentos financeiros, como derivativos, para ampliar posições de investimento. Ela pode aumentar os ganhos quando os ativos valorizam, mas também intensificar as perdas e levar à venda de ativos para cumprir obrigações.
Prime brokers
Instituições financeiras que oferecem serviços a fundos de investimento, como financiamento, custódia e intermediação de operações. A exposição a esses clientes pode transmitir impactos de dificuldades nos fundos para outras partes do sistema financeiro.

Fontes: Estadão

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