José Dirceu recebe 78 mil votos, mas não volta à Câmara
O ex-ministro foi o 17º candidato mais votado do PT em São Paulo; a votação não foi suficiente para garantir uma vaga de deputado federal.
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José Dirceu recebeu 78.450 votos na eleição para deputado federal por São Paulo e não conquistou uma vaga na Câmara. O ex-ministro disputou novamente um cargo eletivo 24 anos após sua última candidatura. Ele recuperou os direitos políticos em 2024, depois de decisões judiciais sobre processos da Lava-Jato.
José Dirceu não conseguiu voltar à Câmara dos Deputados na eleição deste domingo, em São Paulo. O ex-ministro da Casa Civil recebeu 78.450 votos e foi o 17º mais votado do PT no estado, resultado insuficiente para conquistar uma vaga.
Aos 80 anos, Dirceu voltou a disputar uma eleição 24 anos depois de sua última candidatura, em 2002, quando se reelegeu deputado federal com 556 mil votos. Naquele ano, também coordenou a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva e, após a vitória, deixou o mandato para assumir a Casa Civil.
Dirceu esteve no centro da articulação política do primeiro governo Lula até junho de 2005, quando deixou o ministério em meio ao escândalo do mensalão. Ele reassumiu a cadeira na Câmara e afirmou que pretendia se defender das acusações no Congresso. Em dezembro daquele ano, porém, os deputados cassaram seu mandato por quebra de decoro parlamentar: foram 293 votos a favor e 192 contra. Dirceu negava envolvimento no esquema e dizia que não havia provas contra ele.
Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-ministro no julgamento do mensalão. Ele recebeu pena de sete anos e 11 meses, começou a cumpri-la em 2013 e teve a pena extinta posteriormente por indulto. Em 2015, foi preso novamente, dessa vez na Operação Lava-Jato, e condenado em dois processos pelo então juiz Sergio Moro. As penas somadas chegaram a 34 anos de prisão. Dirceu negou as acusações.
As condenações da Lava-Jato perderam efeito em 2024. Em maio, a Segunda Turma do STF reconheceu a prescrição em uma das ações. Em outubro, o ministro Gilmar Mendes anulou as condenações impostas por Moro ao estender a Dirceu o entendimento do Supremo sobre a parcialidade do ex-juiz em processos da operação. A decisão restituiu seus direitos políticos e retirou o impedimento ligado à Lei da Ficha Limpa. Em dezembro, o Superior Tribunal de Justiça encerrou processos remanescentes da Lava-Jato contra ele.
A recuperação dos direitos políticos permitiu que Dirceu se candidatasse neste ano. Ele afirmou que decidiu concorrer a pedido de Lula. Em junho, relatou que o presidente lhe disse, durante conversa com o dirigente petista Edinho Silva, que deveria retornar à direção do partido e à Câmara para ajudá-lo.
Lula também participou da campanha: em setembro, gravou um vídeo pedindo votos para o antigo aliado e chamou sua eventual eleição de “reparação histórica”. Dirceu usava a mesma expressão ao falar sobre a tentativa de retornar ao Congresso.
A trajetória política dos dois se cruza há mais de três décadas. Dirceu presidiu o PT a partir de 1995 e participou da reorganização do partido antes da vitória de Lula em 2002. Antes de chegar ao governo, foi líder estudantil nos anos 1960, preso durante a ditadura e banido do país em 1969. Viveu em Cuba e voltou clandestinamente ao Brasil na década de 1970, com outra identidade; após a anistia, retomou a vida pública e participou da fundação do PT.
Ele foi eleito deputado estadual em São Paulo em 1986 e chegou à Câmara federal em 1990. No primeiro mandato, participou da articulação que levou à criação da CPI do PC Farias, investigação anterior ao impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Depois de disputar o governo paulista em 1994, voltou à Câmara em 1998 e se reelegeu em 2002. Sua tentativa de retorno neste domingo encerra, por ora, a possibilidade de retomar o mandato federal que perdeu com a cassação de 2005.