Joanne Young relata estupros durante julgamento de quatro homens
Em Winchester, na Inglaterra, ela afirmou que o ex-marido a drogava e a deixava amarrada e vendada; os quatro réus negam as acusações.
Resumo em 30 segundos
Joanne Young relatou em depoimentos à polícia que o então marido a drogava e a deixava amarrada e vendada, enquanto outros homens mantinham relações sexuais com ela. Quatro homens são julgados em Winchester por crimes sexuais ligados ao caso e negam as acusações. Philip Young se declarou culpado pelos crimes atribuídos a ele.
Joanne Young, de 49 anos, afirmou que o então marido a drogava e a deixava amarrada e vendada para que outros homens tivessem relações sexuais com ela. O relato foi apresentado nesta quarta-feira, durante o julgamento de quatro homens no Tribunal de Winchester, no sul da Inglaterra, acusados de estupro e outros crimes sexuais relacionados ao caso.
Em um depoimento gravado à polícia, Young contou que, em fevereiro de 2023, despertou com os olhos cobertos e as mãos presas, enquanto duas pessoas estavam no quarto. Uma delas, disse, parecia ser o marido, Philip Young, de 50 anos. “Um tocava no meu pulso e o outro praticava sexo oral em mim”, declarou.
Os quatro réus são Norman Macksoni, de 48 anos, e Richard Wilkins, de 62, acusados de estupro; Connor Sanderson-Doyle, de 32, que responde por agressão sexual e toques; e Mohammed Hassan, de 38, acusado de toques sexuais. Todos negam as acusações. Philip Young se declarou culpado em janeiro pelos crimes atribuídos a ele, e o casal está separado.
Em outro depoimento, feito em julho de 2024, Joanne Young descreveu o que chamou de padrão recorrente nas relações com o marido, com quem era casada havia duas décadas. Segundo ela, os encontros muitas vezes aconteciam depois de saídas para beber com amigos ou de uma última taça antes de dormir. “Na maioria das vezes, eu já estava em sono profundo e ele iniciava a relação sexual”, afirmou.
A mulher disse que frequentemente acordava amarrada e vendada, sem lembrar como havia chegado àquela situação. Sobre a noite de fevereiro de 2023, contou que havia bebido em um pub com amigos e foi dormir. No dia seguinte, o marido teria dito que consultava fóruns e que havia convidado alguém para assistir aos dois mantendo relações sexuais. “Fiquei muito perturbada e chocada ao saber que alguém esteve ali”, relatou. Ela afirmou que nunca teria aceitado ou desejado a presença de outra pessoa.
Após ser detido, Philip também contou à esposa que havia publicado imagens íntimas dela na internet. “Foi como levar um soco no estômago. Imagino que eu estivesse dormindo, porque, se não, quando é que essas fotos foram tiradas?”, disse Young no tribunal. A investigação começou depois de uma denúncia contra Philip por divulgação de imagens sexuais. Durante buscas na casa, a polícia encontrou vídeos em que Joanne aparecia imobilizada na cama enquanto outros homens mantinham relações sexuais com ela.
Joanne Young abriu mão do direito ao anonimato e é mãe de três filhos. O caso tem sido comparado ao de Gisèle Pelicot, na França, cujo ex-marido foi condenado em 2024 após drogá-la para que outros homens a estuprassem. O julgamento em Winchester ocorre em meio a outros processos sobre violência sexual facilitada por drogas: um caso em Manchester, no norte da Inglaterra, deve começar na próxima semana, depois que um homem admitiu em setembro ter drogado e estuprado a esposa por mais de duas décadas.
Para entender
- Gisèle Pelicot
- Francesa cujo caso ganhou repercussão internacional após a condenação, em 2024, do ex-marido, que a drogava para que outros homens a estuprassem. O episódio é citado como comparação com o processo de Joanne Young.